quinta-feira, 4 de junho de 2009

Uma História REAL!


Um Dominador perguntou a sua submissa:

-Você morreria por mim?

Ela responde, rapidamente:

- Sim, Senhor. Meu corpo existe por ti. Minha mente funciona para o teu deleite. Tudo que há em mim já não segue a minha lógica, mas já pertence a ti, Senhor de mim. Eu me derramo em teu cálice como vinho adquirido e inegavelmente teu, para que o beba ou o despreze. Assim também meu sangue, bastando apenas uma palavra tua, seria derramado para tua apreciação até que a ultima gota de vida em mim se esvaísse em uma entrega derradeira para suprir os caprichos de teu prazer.

“Follow your common sense...You cannot hide yourself... behind a fairytale…forever and ever”

Ele sorri e continua:
-Por mim, e apenas para satisfazer minha vontade, você abriria mão de todo e qualquer contato humano? De seus amigos e de seus familiares? De seu trabalho e de sua vida social?
Ela pensa por um segundo, e responde:
- E o que é minha vida senão o que o Senhor quiser dela fazer? De que me serve o contato humano que não o inclua. De que me vale um conselho que não o teu, ou uma presença que não a tua? Bastaria uma ordem de teus lábios e eu me isolaria em uma casa no topo de uma montanha e lá permaneceria pronta a abrir as portas para o Senhor e o Senhor apenas.

“Follow your common sense...You cannot hide yourself... behind a fairytale…forever and ever”

- E se fosse minha vontade você se submeteria as dores que eu quisesse te causar, mesmo que fossem maiores do que as que já te causei? Mesmo que fossem exatamente aquelas que me disse que não suporta? Mesmo que eu desejasse te bater até que perdesses a consciência e continuar te atingindo quando acordasse?
Ela toca sua propria pele alva e a acaricia com as mãos frias e tremulas, e responde com certa hesitação.
-Sim, Senhor. Se fosse esse teu desejo. Se realmente quisesses assim. Meu sofrimento é teu. Está entregue em tuas mãos.
Ela acompanha com olhar atento os movimentos das mãos dele, enquanto tranca a porta.

“Follow your common sense...You cannot hide yourself... behind a fairytale…forever and ever”

Ele caminha até um baú de Madeira e o abre.

“Follow your common sense...You cannot hide yourself... behind a fairytale…forever and ever”

-Senhor? – ela chama. Ele não responde. Ela insiste
-Senhor? O que vai fazer?

“Follow your common sense...You cannot hide yourself... behind a fairytale…forever and ever”

-Senhor? É isso o que deseja? Me açoitar até que eu desmaie? O que vai pegar?

“Follow your common sense...You cannot hide yourself... behind a fairytale…forever and ever”

-Não. – ele responde -Algo muito mais simples e menos drástico. Não se preocupe. É meu desejo apenas cortar seu cabelo. – Ele retira do baú uma tesoura grande e a mostra para a mulher jogada a seus pés.
-Cortar? – ela toca os cabelos negros e longos que lhe cobrem os seios nus – Cortar quanto, Senhor?
Ele toca seu rosto e se abaixa a observando calmamente. Entre os dedos segura uma mexa de cabelo da garota assustada, dois centímetros abaixo da raiz.

Ele vê o terror em sua fisionomia. Ela lança o corpo para trás. Ele investe em sua direção.
-Por que você faria isso? Digo, o Senhor... Por que faria isso? Não faz sentido...

-Sentido? De que vale a tua lógica? Tudo o que há em ti não segue a tua lógica, mas pertence a mim.
-Mas... Todos elogiam meu cabelo. Todo mundo gosta dele como é. Por quê?
-De que vale um conselho que não o meu? De que vale o que as outras pessoas sentem ou dizem?
-Senhor... Por favor, sabes como eu sou... Isso seria um sofrimento absurdo para mim.
Ele sorri e responde:
-Teu sofrimento é meu. Exatamente como você disse...

Em um impulso, ela corre para a porta e força a maçaneta. A porta está trancada. Ela a puxa com toda a força que tem repetidas vezes.
-As chaves – ele diz as tirando do bolso e balançando o chaveiro no ar. E as joga ao chão.
Ela rasteja em um choro desesperado. Aperta as chaves nas mãos, mas permanece prostrada. As lágrimas ainda escorrem. Ela sabe. Ele sabe. E ela sabe que ele sabe... Ela soluça mais de vergonha que de medo.
-Eu não sou sua! – Ela grita.

Ele sorri e guarda a tesoura. A toma pelas mãos, e a deita em sua cama. Usa o corpo de sua escrava para seu prazer. O açoita, da maneira que sempre fez. Deixa seu gozo e as marcas de seus chicotes no corpo da menina entregue e confusa que o serve. Ele a algema e a amordaça e a deixa dormir presa a uma argola aos pés da cama. De manhã, ele se levanta e toma um banho. Joga sob o corpo da escrava a roupa que deseja que ela use, e ela se veste conforme seu desejo. Ele ordena que ela permaneça em silencio absoluto até que cheguem ao carro. E ela cumpre a ordem.
Ele a conduz até o lugar onde mora. No caminho ela pergunta:
-Essa será a ultima vez que o verei, Senhor?
Ele ri.
-Não, menina. Tudo segue como antes.
-Mas agora... Agora o Senhor sabe das limitações da minha entrega. Sabes que não sou sua de verdade.
-Eu sempre soube. Agora você sabe. Acha que pode lidar com isso? Eu não quero uma ilusão. Não quero fantasia. Ouça o que eu digo... Não existe entrega completa. Não existe entrega de alma. Tua alma é sua. Não existe nesse mundo nada verdadeiramente incondicional. Apesar disso, essa noite, você, uma mulher absolutamente livre, optou por me servir. E eu dei as ordens que posso dar. E tive uma noite maravilhosa. Não, você não é minha. E ao mesmo tempo, você é minha dentro dos teus limites e de tuas possibilidades. Não é?
-Sim, Senhor. Tua. E me senti tua. E me sentistes tua. É isso que quer de mim?
Ele tocou seu rosto com ternura. A beijou. E depois lhe deu um tapa na face direita. Ela sorriu. E ele disse:
-Eu quero realidade. Eu quero o melhor possível.

*"Follow your common sense
You cannot hide yourself
Behind a fairytale
Forever and Ever
Only by revealing the
Whole truth we can disclose
The soul of this bulwark
Forever and ever
Forever and ever..."

=)

*musica incidental.... Cry for the Moon - Epica

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O incidente SUZAN BOYLE

Pra quem não sabe, Suzan Boyle é uma mulher de 47 anos que vivia até pouco tempo no completo anonimato. Passou de mais uma senhora desempregada da Escócia para musa do You Tube ao se candidatar para o concurso Britain´s Got Talent, , mais um desses reality shows em que talentosos desconhecidos procuram alguma notoriedade e chances de realizarem seus sonhos.


Há muita coisas que eu poderia dizer sobre Suzan. Poderia dizer que ela não tem o vocabulário mais sofisticado entre os britânicos. Poderia dizer que ela se veste como uma camponesa e que tem cabelos mal cuidados. Poderia dizer que ela me lembra a mãe italiana de um candidato a faz tudo da máfia que eu um dia vi em um filme qualquer. Quem a vê pisar em um palco, pode estranhar o fato de não haver pendurado em seu braço esquerdo um bom pano de prato. Ela parece uma daquelas grandes cozinheiras gordas que cheiram a alho. Mas o que eu TERIA que dizer, e o que importa que seja dito, é que ela escolheu cantar em sua audição, uma canção do musical Les Miserables e a cantou divinamente. Ela deixou todos os jurados a beira das lágrimas e fez o público inteiro aplaudir em pé seu subestimado talento.

Linda cena. Realmente.

Mas, sem querer de forma alguma arranhar o brilho dessa imensa vitoria de Suzan, me ocorreu um pensamento que divido aqui...

Já te pareceu estranho o modo com que as pessoas parecem se surpreender sempre que alguém feio realiza algum grande feito?

É quase como se fosse senso comum que gente feia não consiga fazer nada direito. E sempre que alguém como a Suzan dá uma dentro... Multidões vão ao delírio. Parece que, por algum motivo, é surpreendente que gente feia consiga fazer qualquer coisa!


Os jurados de Britain´s Got Talent fizeram todo tipo de elogio à performance de Suzan Boyle, mas ao ouvi-los, eu só conseguia interpretar aqueles elogios como grandes ofensas veladas... Talvez eu estivesse em um desses dias em que o sarcasmo me consome, confesso (como quando eu escrevi no blog um post sutilmente ferino sobre Vinícius de Moraes – que Deus me perdoe!).

Eles demonstravam toda sua surpresa e sua aprovação à bela voz de Suzan... E eu só conseguia imaginar os subtextos.... Os comentários que eles NÃO fizeram. Algo assim:

Jurado Um: "Estou absolutamente perplexo! Como pode uma voz tão linda, vindo de uma pessoa tão feia!"

Jurado Dois: "Meu Deus! Se meus olhos estivessem vendados, eu ao te ouvir, seria capaz de jurar que você era uma mulher atraente! Você canta tão bem! Você canta como uma mulher atraente!"

Jurado Tres: "Uau! Com a sua voz e o corpo da Britney Spears, você dominaria o mundo!"

Segue o Video do You Tube, pra quem quiser dar uma olhada.

http://www.youtube.com/watch?v=j15caPf1FRk

WAY TO GO, SUZAN!

= )

segunda-feira, 18 de maio de 2009

LITURGIA É QUE É CONTRAVENÇÃO!


É engraçado que as vezes, tudo muda e ninguém parece perceber.

Hoje reli um tópico de uma comunidade sobre BDSM em que alguém (por quem tenho grande simpatia, cabe dizer) reclamava os seus direitos de não ser litúrgica. Quem tem boa imaginação, poderia quase vê-la ofegante,rasgando as roupas em desespero, gritando que achava liturgia uma grande babaquice. E que estava cansada de ser julgada como a “ovelha negra” do SM, só porque gostava de cenas publicas feitas sempre em um contexto de absoluta descontração. Para ela, pareceu-me, BDSM é algo simples e prático: Está com vontade? Vá e faça! Não está? Continue tomando sua cerveja (uma postura lógica e a ser respeitada, como qualquer outra) E ela parecia lutar muito por esse direito de ser respeitada nesse seu estilo, não litúrgico, até talvez anti-liturgico, de ser.
Quem não é do meio, e a vê, tão empenhada em seu ideal, poderia a imaginá-la como uma grande revolucionária, encabeçando um movimento novo e desconhecido aos tão retrógrados e puristas praticantes do BDSM, esses litúrgicos incorrigíveis que não permitem que no vasto leque do SM se abrigue qualquer um que não se ajoelhe imediatamente perante um TOP, no exato minuto em que notam sua presença.

E eu me perguntei: Será que eu e ela freqüentamos os mesmos clubes BDSM? Será que lemos os mesmos textos em comunidades, que conhecemos as mesmas pessoas? Será que vivemos o BDSM no mesmo mundo? Porque eu não vejo onde é que estão esses litúrgicos cruéis e intolerantes dos quais ela parece falar.
Como sempre posso estar errada em minhas analises, parei por um momento, tentando trazer á lembrança as ultimas 10 ou 15 cenas publicas que eu havia tido a oportunidade de presenciar. De fato, naquele dia, nenhuma delas havia sido algo que pudesse se classificar como litúrgico ou mesmo formal. Todas haviam sido cenas curtas, sem qualquer traço de reverencia ou tensão. Todas haviam sido cenas leves, nascidas como que de uma brincadeira. Em algumas, enquanto alguém apanhava no X em meio a risadas e comentários irreverentes, outros presentes nem observavam a cena, mas sim conversavam livremente, uns com copos de cerveja nas mãos, espontâneamente.
Tentei então relembrar, das pessoas com quem tenho algum contato, quais eu poderia chamar de litúrgicas, ao menos no que diz respeito a cenas e sessões SM. Achei uns 5 ou 6. Seguindo no exercício mental, consegui levantar entre meus conhecidos, em menos de 5 minutos, mais de 30 nomes de pessoas que realizam cenas na mais completa informalidade.

Cheguei a uma conclusão: Hoje em dia, Liturgia é que é contravenção!
Os litúrgicos, alem de serem minoria, por algum motivo, ainda recebem a fama de realizarem uma repressão que, no meu ponto de vista, não se verifica.

Não se verifica porque, os únicos litúrgicos de que consegui me lembrar, assistem as cenas dos não litúrgicos e as respeitam. Muitas vezes até fazem comentários que as exaltam em algum aspecto.

Nesse contexto, me pergunto, o que é igualdade?
Entendo que igualdade seria que não se apontasse como erro, nem a liturgia, e nem a falta dela. Que litúrgicos e não litúrgicos convivessem bem, sem que se pusesse a culpa pelos erros do SM, nem em quem se recusa a ajoelhar-se perante um TOP, e nem em quem se ajoelha prontamente, considerando esse ato uma demonstração de respeito.

Eu, que amo liturgia, me sinto a ovelha negra do SM quando leio posts que insinuem que liturgia é babaquice. Quem decidiu que se eu me ajoelho para meu Dono, estou desrespeitando aquela que cumprimenta o Dono dela com um tapinha jocoso nas costas?
Eu não me sinto ofendida quando presencio a irreverência. Eu sorrio para ela. Acho que é algo que demonstra intimidade. Acho que as cenas espontâneas podem ser lindas, também, dentro de um estilo que eu em geral não sigo, mas respeito.

Mas a mim, no que diz respeito ao tema, o que realmente encanta, arrebata, faz sonhar, é entrar em um Dungeon bem decorado, iluminado por velas, ambientado com musicas apropriadas e em que impera o silencio e a atenção do publico para com as cenas que se apresentam a seus olhos.
Gosto que existam sim, regras de conduta. Me agrada. Me envolve.
Gosto de simbologia. Gosto dos pequenos rituais. Gosto da organização.
Não imponho, nem tento impor a ninguém a liturgia que sigo. Até porque, ela exige um certo perfil. Não é todo mundo que se interessa. Esse é um ponto. Mas também não é todo mundo que é capaz compreende-la. E em geral, as pessoas que mais tiram sarro, que mais criticam, dizendo que se negariam veementemente a seguir essa liturgia, são exatamente pessoas que eu creio não terem nem mesmo condição de segui-la. Eu jamais as aconselharia a fazer as coisas que eu faço. Elas não querem. E eu não julgo que seria apropriado aos sagazes tiradores de sarro, o uso de rituais que são expressões de sentimentos intensos.

Digam o que disserem, eu que já freqüentei muitas plays litúrgicas afirmo que, o fato de haver toda uma ambientação e preocupação com a liturgia, não tira, de forma nenhuma, a força da entrega. Quem quer ser falso, é falso com ou sem liturgia. Quem quer simular, simula no silencio de um Dungeon a luz de velas, ou no barulho de um Dungeon informal. Liturgia não é falta de conteúdo. É exigência de conteúdo e expressão dele, de formas belas e cheias de símbolos.

Tenho amigos de todas as tribos e de todos os estilos no BDSM. Nunca deixei de cumprimentar ninguém ou de sentar a mesa com alguém apenas por ter um estilo diferente do meu. Mas o que vejo hoje, e me perdoem a honestidade, é uma divisão infantil. É quase como se houvesse uma mesa reservada para a massa critica, que está sempre pronta a ridicularizar toda e qualquer manifestação litúrgica. Que seria isso? Medo? Mas medo de que? Do diferente? Medo de que quem chega vá ser raptado pelos formais caso alguém não os oriente sobre os perigos da liturgia?

Que bobagem!

Seja Liturgico! Ou seja informal! Mas deixe de ser ANTI-LITURGICO. Isso sim é que é tirania!



=)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Pink Poison


Lanço mão de minha alquimia
Paixões em tubos de ensaio
Junções quase sempre explosivas
Veneno Antimonotonia

É um medo, medo da vida
Posto em tão alta velocidade
Que se alia a uma estranha ousadia
Veneno Antimonotonia

Um choro no meio da noite
Ou um riso onde não poderia
Desprezo total por rotina
Veneno Antimonotonia

Desconforto no que é hereditário
Consolo na instável magia
Carta sem destinatário
Veneno Antimonotonia



;)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

PRA VOCÊ!

Pra você que tem uma simpatia gratuita por mim, que nem consegue explicar:
Obrigada. Muitas vezes, um scrap, um comentário, um abraço mais forte ao ser cumprimentada, salva o meu dia, melhora meu humor, me inspira e me resgata da melancolia.

Pra você que me ama secretamente:
Me honra! Mesmo que eu não possa retribuir, me sinto honestamente honrada. Meu coração está completo. Já encontrei o homem e a menina da minha vida.... Mas carinho é sempre muito bem vindo!

Pra você que me odeia, sem motivo aparente:
A primeira vista, eu pareço (dizem) muita coisa que não sou. Não sou metida. Sou sim, reservada ao conhecer alguém. Não me acho melhor do que ninguém, as vezes até ocorre o contrario. Talvez, se você achar que vale a pena e me der um tempinho, eu possa te surpreender positivamente. Se não, também, banana pra você!

Pra você que eu chamo de amigo (a):
EU NÃO SERIA NADA SEM VOCÊ. Sabe, existem poucas pessoas a quem me refiro com esse título, e se você é uma delas, te garanto que você é uma pessoa fantástica, rara, bela. Obrigada por me permitir caminhar contigo.

Pra você com quem eu pisei na bola:
Eu sei que eu sou as vezes radical. E que as vezes me afasto quando algo me machuca, sem muitas explicações. Isso não quer dizer que eu queira o teu mal. Te quero bem. Se puder, entenda os meus repentes. As vezes em mim a emoção ainda fala mais alto que a lógica. As vezes eu não sei voltar a trás. Estou tentando melhorar. Se possível, me perdoe. Se valer a pena, me procure. Ou então manda uma banana pra mim e pronto que as vezes eu erro feio. Sorry...

Pra você que tem inveja de mim:
Não gaste seu tempo comigo. Fica feio... Procure seu próprio caminho. Invista mais em você do que em mim. Já dizia alguém que ter inveja é como comer algo ruim e esperar que o outro passe mal.

Pra você que eu amo:
Vem mais perto... encosta... me abraça... que eu te digo no ouvido o que eu tenho pra dizer pra você!

=)

sábado, 18 de abril de 2009

Sobre uma queda...


Na madrugada após seu baile de formatura, Vera foi internada com múltiplas fraturas e rapidamente submetida a uma lavagem estomacal. Permaneceu inconsciente pouco mais de uma semana. A possibilidade de recuperação dividia as opiniões dos médicos. Numa sexta feira ela acordou e foi recuperando a fala e a memória em um processo que durou cerca de um mês. Permanece internada devido à fratura do fêmur esquerdo ainda em recuperação.

No hospital, após indagada sobre o que realmente acontecera naquela noite, ela contou que depois da festa, voltara para casa com uma leve dor de cabeça que aumentava a cada minuto. Tomou dois analgésicos que não fizeram efeito. Um tempo depois, tentou mais dois, ainda sem sucesso. A dor insistente não a deixava. A intensidade causava náuseas, então engoliu algumas pílulas de dramin e foi deitar. Não conseguia dormir, por isso tentou um relaxante muscular e depois alguns calmantes. Houve uma leve melhora. Mas tudo saiu realmente saiu do controle por causa de um carro que buzinava insistentemente na rua. Acordou assustada e caminhou com a cabeça dolorida até a janela, debruçando-se para ver de onde vinham as buzinadas.

A queda do terceiro andar fora causada pela incontrolável tremedeira, efeito do calmante. O fato de ela não ter conseguido se segurar no toldo do andar de baixo havia sido, segundo ela, certamente efeito do relaxante muscular.

Já quando indagada sobre como havia sido o baile de formatura, ela chorou compulsivamente por três horas.

domingo, 5 de abril de 2009

CONFLITO

Queria entender, Senhor, e não entendo,
essa dualidade em mim que me faz estranha....

Te quero inteiro, digno, honesto e quero que me abraces outra vez essa noite, como na noite passada. Quero ouvir e ler palavras doces. Quero teu amor por mim, forte e intenso como tem sido. Te quero verdadeiro e limpo. E quero ver em ti as maiores virtudes, como tenho visto. Quero ter orgulho ao dizer teu nome e poder citá-lo como meu melhor amigo. Quero confiar em ti e saber que sou pra ti especial e insubstituível. Quero colo e ombro. Quero paz e abrigo.

Mas tem essa outra mulher em mim.... E ela grita...

Quero que me assaltes com o maior insulto. Quero ser traída e ridicularizada. Quero derramar lágrimas no travesseiro enquanto dormes tranquilo após ter me usado. Quero te odiar por um segundo amargo. Quero achar numa gaveta uma carta de amor que não me pertença. Quero uma rival a minha altura e que me mereça! Quero temer perde-lo e por isso perder o sono. E não saber se me amas tanto.... Duvidar e ainda assim deitar a teu lado. Quero que me jures que trabalhou a noite inteira, e depois me faças sentir o gosto dela no teu corpo rigido, forçado em minha boca. Quero amar como louca. E sofrer como a mais pura criatura.

Não sei qual parte de mim planeja e qual fantasia.
Entrego a ti esse conflito...
Para que o use... com sabedoria.

tavi