quinta-feira, 23 de julho de 2009

DOM SECRETO, sub discreta...

A sensação do momento nos perfis agora é essa:
Tenho Dono. Faço um poema pra ele. Relato a ultima sessão, mas em nenhum momento, digo quem ele é!
Uso meu nome entre chaves, seguidas de misteriosos três pontinhos...
Quem será meu Dono??
TAN TAN TAN TAN
O DOM SECRETO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Ou esse cara tem muita sub mesmo ou o número de Dominadores que não desejam revelar seu nick tem aumentado. Me pergunto o por que disso...

Já me responderam que é uma questão de fetiche mesmo, de gostar do mistério, de ter tesão no segredo. Nesse caso, nada a declarar. Eu que acho até scat aceitável, quando é um fetiche dos envolvidos, que não vou dizer nada contra o prazer do mistério. Mas me parece que em 99,99999% dos casos, a história não é bem essa.
Tambem acho natural que se mantenha o começo de um relacionamento SM de forma discreta. Nesse momento em que nem Dom e sub sabem se querem mesmo investir na relação, é perfeitamente lógico que não se revele o Nick dos talvez futuros Dom e sub.

Eu me mordo é por aquela amiga que teria total orgulho em portar uma coleira do DOM X, aquela que entrou numa D/s, aceitando que era “muito cedo” pra revelar o Nick de seu amado Dono. Que viu os meses passarem e nada mudar a esse respeito, que engoliu as desculpas mais esfarrapadas de um homenzinho atrapalhado, incapaz de entregar o que vendeu.
É lógico que cada caso é um caso. Me cansa apenas ter que fingir que acredito que um Dom que se preze esteja escondendo os seus relacionamentos para “proteger” a sub! Proteger de que, meu Deus?!
A história que eu conto pra vcs, eu tenho certeza que vcs já ouviram ou leram... com outros Nicks, nas janelas dos MSNs da vida... Vamos dar uma espiada no MSN do Dom Secreto? rs

Dom Secreto: Olá, minha cadela!
Sub Discreta: Dono! Que saudades! O Senhor sumiu semana passada!
Dom Secreto: Ah, sim. É que eu estive muito ocupado no escritório durante a semana. E Sábado, bem no Sábado, tive a infelicidade de perder meu celular. Pra piorar, no mesmo dia, meu computador pifou de vez. Fiquei inacessível.
Sub Discreta: sim, Senhor. Entendo. Que pena! E sei como é... da sua casa o Senhor não tem como ligar....
Dom secreto: É. Minha mãe ainda está muito doente. Uma conversa no telefone pode fazer muito barulho pra ela. É complicado...
Sub Discreta: Mas tudo bem. Torcendo pra ela melhorar logo, Dono!
Dom Secreto: Sim, cadelinha. Mas o importante é que agora vc está aqui pra me compensar por tudo isso.
Sub Discreta: Senhor, tem uma coisa que eu queria te perguntar... Já estamos juntos há 4 meses. Será que eu posso contar pra minha melhor amiga quem é o Senhor? É que ela vive querendo saber. Ela não vai contar pra ninguém. Eu sei que ainda não é hora, que as pessoas fazem fofoca e que a fofoca, como o Senhor sempre diz, é um perigo! Mas só pra ela eu posso contar? Posso????????
Dom Secreto: Hummm... vc confia nela? Ela não vai contar pra ninguém?
Sub Discreta: Não Senhor! Jamais!
Dom Secreto: Bom... se ela não vai contar pra ninguém... então pode! Quem é ela?
Sub Discreta:Oba! É a sub caladinha.
Dom Secreto: Ah não! Então não pode não!
Sub Discreta: Mas por que, Senhor?
Dom Secreto: Ora, mas por que? Porque... sei lá por que! Olha, ela vai contar pra todo mundo. E ainda não é hora. Esse povo num merece saber. O que nós temos é algo muito especial. Quando chegar a hora certa, todos vão saber...
Sub Discreta: Sim, Senhor. Eu não quero que sintam inveja de nós dois. O Senhor é muito especial. Hoje em dia a coisa mais rara do mundo é um Dom que dá exclusividade. E o Senhor dá. Isso é maravilhoso. Mas, Senhor, lembra que tinha me dito que com o tempo a gente ia poder contar... quando já estivéssemos mais unidos, mais fortes juntos. Eu acho que esse momento chegou.
Dom Secreto: Ah... pode ser minha cadela. Mas é que eu não quero que você fique falada no meio.
Sub Discreta: Falada? Por ter Dono?
Dom Secreto: Ah, sim... as pessoas falam de tudo... se não tem Dono é puta porque não tem Dono. Se tem, é puta porque tem. O BDSM está cada vez pior.
Sub Discreta: É que, Dono... eu tenho um sonho. Eu queria muito um dia ir com o Senhor no Dominna.
Dom Secreto: Ah, cadelinha! Nem pensar! Cena publica não combina com a gente. Não temos que provar nada pra ninguém.
Sub Discreta: Mas Dono... todas as minhas amigas vão.
Dom Secreto: Isso não é verdade! A sub caladinha jamais pos os pés naquele lugar!
Sub Discreta: sim, mas só porque ela esta servindo a um Dom que não deixa ela ir.
Dom Secreto: Sim. E ele faz muito bem! A propósito, ela já te contou qual é o Nick do Dono dela?
Sub Discreta: Ainda não, Senhor. Ele a está protegendo das fofocas!
Dom Secreto: Ah! Pois muito bem... eu ia deixar vc contar pra ela o meu Nick, cadelinha. Mas agora não vou mais. É a lei da reciprocidade. Se ela não conta, vc não conta também! E assunto encerrado! Agora vou dormir. Quarta feira a tarde quero você me esperando. Teremos duas horas inteirinhas pra matar as saudades.
Sub Discreta: Sim, Senhor. Obrigada por pensar tanto em mim!

Enquanto isso, numa janela paralela do MSN de Dom Secreto.

Sub Caladinha: Ai, Dono de mim! Adorei o fim de semana! O Senhor é tão bom pra mim... Posso contar quem é o Senhor pra minha melhor amiga, a sub discreta?
=)

domingo, 19 de julho de 2009

Complexo de Complexidade...


Tenho um amigo que costuma dizer que cada pessoa tem um número limitado de assuntos que se revezam em seu discurso. E cada um, em cada conversa que tem, acaba sempre dando um jeito de levar as discussões para essas suas questões eleitas. No meu discurso e em meu pensamento, com freqüência está o tema das contradições humanas. Esse tipo de análise me fascina, e de uma forma ou outra, acabo sempre observando e ressaltando esse aspecto nos seres.

Outro dia reparei que dois dos meus autores favoritos, homens célebres e respeitados, também tinham suas contradições.
Diz a lenda que as ultimas palavras de Álvares de Azevedo foram: “Que lástima!”. Também é dito por estudiosos da vida de Machado de Assis, que ele morreu de tristeza, incapaz de lidar com a morte da esposa, Carolina.

Álvares e Machado. Um grande Romantico e um grande Realista, respectivamente. Sim, é verdade que Machado de Assis teve um pezinho no Romantismo, mas quem o ama como eu amo, e conhece um pouco mais a fundo sua obra, tem que concordar que ao render-se ao Realismo é que ele passou a escrever com a propriedade de quem acredita no que defende. E Álvares, o poeta da morte, do sombrio, fascinado por termos e enredos fúnebres, é indiscutivelmente um ótimo representante do movimento Romantico.
Sendo assim, me parece muito curioso o fato de que ao ver-se finalmente face a tão idolatrada morte, Álvares tenha se lamentado. Mais curioso ainda me parece o fato de Machado, desertor do Romantismo e Realista até o último fio de cabelo grisalho, tenha “morrido de amor”.

Concluo disso então: Contradição, se é bom pra eles, é bom pra mim!

E fico mais em paz sabendo que estou em tão boa companhia, quando me vejo perdida, pintando pontos de interrogação e desconfiando de textos por mim mesma escritos. Torço o nariz, muitas vezes, pra minhas próprias certezas (certezas?). Revejo e ponho em xeque, muitas de minhas próprias convicções (seriam elas então convicções?).

Só tenho relutância em ferir os meus princípios. Esses eu luto pra manter intactos. Esses permanecem, mesmo quando a ideologia na qual creio enfraquece em mim (obra da vida). Pois meus princípios não são construídos com base na ideologia que sigo. O que ocorre é o contrario. São meus princípios que me mostram no que me faz sentido acreditar, e no que me é impossível aceitar. Mas pequenas contradições, eu me permito. E ainda ouso dizer que é impossivel a qualquer pessoa com um mínimo de complexidade, fugir a longo prazo de cair em pequenas contradições. Eu me gosto assim, complexa. Não me importo de pegar atalhos inusitados, nem em vez por outra, sair do meu “normal” e surpreender. Vejo isso como um passo importante no nosso processo de aprendizado. As vezes sou criticada por isso, mas nem as críticas tem poder de tirar de mim o prazer de repensar, reconsiderar e de mudar de idéia cada vez que eu tiver bases sólidas pra crer que eu estava errada. Acaba que eu também escolho meus amigos dando preferência a pessoas complexas, cheias de vida e de magia, pessoas que anseiam por transformação e aprendizado, pessoas grandes demais pra se resumir numa verdade sem suaves incoerencias. E essas são capazes de entender, ou ao menos, tolerar os meus repentes. Afinal, pra elas também, o mundo é cheio de nuances. Não há nada mais enfadonho do que viver em um mundo que seja sempre tão preto no branco.
=)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

ALMAS GENTIS

Cada vez me encanto mais com o orkut. E trago pra vcs um pouco do que penso sobre as coisas que vejo por aí. Gente, falsidade num é novidade. E tb num é privilégio de quem gosta de chicote. Mas tem uma outra faceta dela que no BDSM se sabe manejar de forma impressionante.
Eu acredito muito em diplomacia. E não vejo diplomacia como falsidade. Vejo como educação. Quando eu cumprimento alguem, eu não estou dizendo "olha, eu concordo com tudo o que vc diz e faz e te considero um amigão!" Ao cumprimentar alguem que eu conheço pouco, eu apenas estou dizendo "Olá! Eu te conheço e estamos no mesmo lugar. É uma ótima oportunidade para sermos civilizados."
É dificil alguem me irritar a ponto de não receber de mim nem um olá. Fiz isso poucas vezes na vida, e quero muito continuar a ser assim. Sempre digo pras minhas amigas que eu não deixo e dificilmente deixarei de ir a um lugar só porque não me identifico com fulano que pode estar lá.
Mas confesso que tenho enorme dificuldade em compreender demonstrações de afeto e carinho quando o afeto e o carinho em si não estão presentes. É lógico que as pessoas são multi-facetadas e que podemos admirar certas características de pessoas que nos decepcionam em outros aspectos. Mas um "Te adoro" pra ser bom, tem que ser de verdade! Um abraço apertado, tem que ser com as duas mãos, e não com uma no ombro e outra na faca.
Segue mais uma brincadeirinha sobre as coisas que acontecem de verdade. E espero que dessa vez eu nao tenha cometido a gafe de escolher um nick que exista mesmo. Qualquer semelhança com nicks reais terá sido mera desatenção de minha parte. É verdade, viu? Eu juuuuuuuuuro!!!!!!!!!!!!
rs


*Trechos retirados dos Srapbooks fictícios de Anjinha do Olavo e Doce viuvinha*


Doce viuvinha: Passando para agradecer sua gentil visita em meu perfil


Anjinha do Olavo: De nada, querida. Na verdade só passei porque vi seu nome entre as pessoas que gentilmente visitam a minha pagina, e passei para retribuir sua passadinha por lá! Tenha um lindo dia!


Doce viuvinha: Gozado... não me lembro de ter passado por sua página. Mas de qualquer forma, obrigada por ter me visitado antes, assim passei a conhecer esse anjinho que vc é!


Anjinha do Olavo: huuummm... a Senhora que é muito muuuuuito DOCE mesmo! Obrigada por tantas retribuições, muito embora eu não tenha a visitado primeiro, o que faz tuas repetidas retribuições mais gentis ainda!


Doce viuvinha: Oh, querida! Vc superestima minha doçura. EU sempre sou gentil com as pessoas que passam em minha pagina para dar uma olhadinha no que está acontecendo em minha vida. E a propósito, não precisa me chamar de Senhora. Eu sou sub. Tanto quanto você! E obrigada por tantas visistas ao meu humilde perfil!


Anjinha do Olavo: Peço desculpas. Achei educado chamar de Senhora por conta da sua imagem. Parece ser bem mais velha, ou melhor, mais experiente que eu. Sendo assim, não queria te faltar com o respeito. Muito menos questionar tua submissao (longe de mim!). Afinal, todos sabem que sub perfeita vc tem sido.


Doce viuvinha: Ah, siiiimmm... todos sabem muita coisa, viu! Inclusive tem se falado muito sobre uma tal sub de um certo Dom que de sub, não tem nada. Ainda bem que, como todos sabemos, não é o seu caso! kkkk


Anjinha do Olavo: Ah é? Piranha!


Doce viuvinha: Vagabunda! Se liga!


Anjinha do Olavo: Gostaria muito de entender como alguem pode descer tão baixo a ponto de ir ao meu scrapbook me chamar de vagabunda!


Doce viuvinha: Ah, querida. Por favor não me entenda mal. Chamei de vagabunda do bem! Uma vagabunda carinhosa. Porque você tem a sorte de não precisar trabalhar, mas está sempre por perto, se empenhando em encher nossas vidas de alegria. Te admiro e te respeito, minha vagabundinha querida!


Anjinha do Olavo: Ah, bom! E eu te chamei de piranha porque vc é do tipo que não aceita desaforo. Queria muito ser como vc. Ainda tenho muito que aprender com esse seu jeito piranha de ser. Me passa seu msn? Beijos!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Doce viuvinha: Claro, amorrr! Me add! Vou enviar por depoimento para mantermos a privacidade. Beijos querida! Te adoro, viu? E saudações ao Dono de ti!





=/

quarta-feira, 24 de junho de 2009

ORKUTERAPIA


ATUALIZAÇÕES DOS MEUS AMIGOS:


Simplesmente Sub alterou seu primeiro nome para Sub do Jairo

Sub do Jairo: "Não tenho tempo pra mais nada. Ser feliz me consome muito" :)

Sub do Jairo: Nada se compara a ser uma verdadeira submissa!

Sub do Jairo: Dia Perfeito, com um sol Perfeito, ao lado do Dono Perfeito: SENHOR JAIRO!!!!

Sub do Jairo: Não me acompanhe que eu não sou novela!

Sub do Jairo: Não me inveje! Me supere! kkkkkkk

Sub do Jairo: Sou a alegria de quem me ama, a tristeza de quem me odeia e a ocupação de quem me inveja!

Sub do Jairo: Inveja mata! Pensei que tivesse amigas de verdade! Mas tudo bem. Sou a eterna sub do JAIRO!!!!!!!!!

Sub do Jairo: Nunca estive melhor!!!!!!!!!!

Sub do Jairo: Quem espera sempre alcança...

Sub do Jairo: O tempo passa lentamente para os que esperam...

Sub do Jairo: Quem não dá assistencia, abre concorrencia e perde a preferencia

Sub do Jairo alterou seu nome para Sub do Jairo *triste*

Sub do Jairo *triste* alterou seu nome para ...

... : Os homens são todos iguais!

... : Minhas amigas é que tinham razão!

... alterou seu nome para Simplesmente Sub

Simplesmente Sub: Também... o que se podia esperar de um homem chamado Jairo? kkkkkk

Simplesmente Sub alterou seu nome para Sub do Tony

Sub do Tony: "Não tenho tempo para mais nada. Ser feliz me consome muito!"



=)


*E atire a primeira pedra quem nunca recorreu aos benefícios de uma sessão de ORKUTERAPIA!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Uma História REAL!


Um Dominador perguntou a sua submissa:

-Você morreria por mim?

Ela responde, rapidamente:

- Sim, Senhor. Meu corpo existe por ti. Minha mente funciona para o teu deleite. Tudo que há em mim já não segue a minha lógica, mas já pertence a ti, Senhor de mim. Eu me derramo em teu cálice como vinho adquirido e inegavelmente teu, para que o beba ou o despreze. Assim também meu sangue, bastando apenas uma palavra tua, seria derramado para tua apreciação até que a ultima gota de vida em mim se esvaísse em uma entrega derradeira para suprir os caprichos de teu prazer.

“Follow your common sense...You cannot hide yourself... behind a fairytale…forever and ever”

Ele sorri e continua:
-Por mim, e apenas para satisfazer minha vontade, você abriria mão de todo e qualquer contato humano? De seus amigos e de seus familiares? De seu trabalho e de sua vida social?
Ela pensa por um segundo, e responde:
- E o que é minha vida senão o que o Senhor quiser dela fazer? De que me serve o contato humano que não o inclua. De que me vale um conselho que não o teu, ou uma presença que não a tua? Bastaria uma ordem de teus lábios e eu me isolaria em uma casa no topo de uma montanha e lá permaneceria pronta a abrir as portas para o Senhor e o Senhor apenas.

“Follow your common sense...You cannot hide yourself... behind a fairytale…forever and ever”

- E se fosse minha vontade você se submeteria as dores que eu quisesse te causar, mesmo que fossem maiores do que as que já te causei? Mesmo que fossem exatamente aquelas que me disse que não suporta? Mesmo que eu desejasse te bater até que perdesses a consciência e continuar te atingindo quando acordasse?
Ela toca sua propria pele alva e a acaricia com as mãos frias e tremulas, e responde com certa hesitação.
-Sim, Senhor. Se fosse esse teu desejo. Se realmente quisesses assim. Meu sofrimento é teu. Está entregue em tuas mãos.
Ela acompanha com olhar atento os movimentos das mãos dele, enquanto tranca a porta.

“Follow your common sense...You cannot hide yourself... behind a fairytale…forever and ever”

Ele caminha até um baú de Madeira e o abre.

“Follow your common sense...You cannot hide yourself... behind a fairytale…forever and ever”

-Senhor? – ela chama. Ele não responde. Ela insiste
-Senhor? O que vai fazer?

“Follow your common sense...You cannot hide yourself... behind a fairytale…forever and ever”

-Senhor? É isso o que deseja? Me açoitar até que eu desmaie? O que vai pegar?

“Follow your common sense...You cannot hide yourself... behind a fairytale…forever and ever”

-Não. – ele responde -Algo muito mais simples e menos drástico. Não se preocupe. É meu desejo apenas cortar seu cabelo. – Ele retira do baú uma tesoura grande e a mostra para a mulher jogada a seus pés.
-Cortar? – ela toca os cabelos negros e longos que lhe cobrem os seios nus – Cortar quanto, Senhor?
Ele toca seu rosto e se abaixa a observando calmamente. Entre os dedos segura uma mexa de cabelo da garota assustada, dois centímetros abaixo da raiz.

Ele vê o terror em sua fisionomia. Ela lança o corpo para trás. Ele investe em sua direção.
-Por que você faria isso? Digo, o Senhor... Por que faria isso? Não faz sentido...

-Sentido? De que vale a tua lógica? Tudo o que há em ti não segue a tua lógica, mas pertence a mim.
-Mas... Todos elogiam meu cabelo. Todo mundo gosta dele como é. Por quê?
-De que vale um conselho que não o meu? De que vale o que as outras pessoas sentem ou dizem?
-Senhor... Por favor, sabes como eu sou... Isso seria um sofrimento absurdo para mim.
Ele sorri e responde:
-Teu sofrimento é meu. Exatamente como você disse...

Em um impulso, ela corre para a porta e força a maçaneta. A porta está trancada. Ela a puxa com toda a força que tem repetidas vezes.
-As chaves – ele diz as tirando do bolso e balançando o chaveiro no ar. E as joga ao chão.
Ela rasteja em um choro desesperado. Aperta as chaves nas mãos, mas permanece prostrada. As lágrimas ainda escorrem. Ela sabe. Ele sabe. E ela sabe que ele sabe... Ela soluça mais de vergonha que de medo.
-Eu não sou sua! – Ela grita.

Ele sorri e guarda a tesoura. A toma pelas mãos, e a deita em sua cama. Usa o corpo de sua escrava para seu prazer. O açoita, da maneira que sempre fez. Deixa seu gozo e as marcas de seus chicotes no corpo da menina entregue e confusa que o serve. Ele a algema e a amordaça e a deixa dormir presa a uma argola aos pés da cama. De manhã, ele se levanta e toma um banho. Joga sob o corpo da escrava a roupa que deseja que ela use, e ela se veste conforme seu desejo. Ele ordena que ela permaneça em silencio absoluto até que cheguem ao carro. E ela cumpre a ordem.
Ele a conduz até o lugar onde mora. No caminho ela pergunta:
-Essa será a ultima vez que o verei, Senhor?
Ele ri.
-Não, menina. Tudo segue como antes.
-Mas agora... Agora o Senhor sabe das limitações da minha entrega. Sabes que não sou sua de verdade.
-Eu sempre soube. Agora você sabe. Acha que pode lidar com isso? Eu não quero uma ilusão. Não quero fantasia. Ouça o que eu digo... Não existe entrega completa. Não existe entrega de alma. Tua alma é sua. Não existe nesse mundo nada verdadeiramente incondicional. Apesar disso, essa noite, você, uma mulher absolutamente livre, optou por me servir. E eu dei as ordens que posso dar. E tive uma noite maravilhosa. Não, você não é minha. E ao mesmo tempo, você é minha dentro dos teus limites e de tuas possibilidades. Não é?
-Sim, Senhor. Tua. E me senti tua. E me sentistes tua. É isso que quer de mim?
Ele tocou seu rosto com ternura. A beijou. E depois lhe deu um tapa na face direita. Ela sorriu. E ele disse:
-Eu quero realidade. Eu quero o melhor possível.

*"Follow your common sense
You cannot hide yourself
Behind a fairytale
Forever and Ever
Only by revealing the
Whole truth we can disclose
The soul of this bulwark
Forever and ever
Forever and ever..."

=)

*musica incidental.... Cry for the Moon - Epica

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O incidente SUZAN BOYLE

Pra quem não sabe, Suzan Boyle é uma mulher de 47 anos que vivia até pouco tempo no completo anonimato. Passou de mais uma senhora desempregada da Escócia para musa do You Tube ao se candidatar para o concurso Britain´s Got Talent, , mais um desses reality shows em que talentosos desconhecidos procuram alguma notoriedade e chances de realizarem seus sonhos.


Há muita coisas que eu poderia dizer sobre Suzan. Poderia dizer que ela não tem o vocabulário mais sofisticado entre os britânicos. Poderia dizer que ela se veste como uma camponesa e que tem cabelos mal cuidados. Poderia dizer que ela me lembra a mãe italiana de um candidato a faz tudo da máfia que eu um dia vi em um filme qualquer. Quem a vê pisar em um palco, pode estranhar o fato de não haver pendurado em seu braço esquerdo um bom pano de prato. Ela parece uma daquelas grandes cozinheiras gordas que cheiram a alho. Mas o que eu TERIA que dizer, e o que importa que seja dito, é que ela escolheu cantar em sua audição, uma canção do musical Les Miserables e a cantou divinamente. Ela deixou todos os jurados a beira das lágrimas e fez o público inteiro aplaudir em pé seu subestimado talento.

Linda cena. Realmente.

Mas, sem querer de forma alguma arranhar o brilho dessa imensa vitoria de Suzan, me ocorreu um pensamento que divido aqui...

Já te pareceu estranho o modo com que as pessoas parecem se surpreender sempre que alguém feio realiza algum grande feito?

É quase como se fosse senso comum que gente feia não consiga fazer nada direito. E sempre que alguém como a Suzan dá uma dentro... Multidões vão ao delírio. Parece que, por algum motivo, é surpreendente que gente feia consiga fazer qualquer coisa!


Os jurados de Britain´s Got Talent fizeram todo tipo de elogio à performance de Suzan Boyle, mas ao ouvi-los, eu só conseguia interpretar aqueles elogios como grandes ofensas veladas... Talvez eu estivesse em um desses dias em que o sarcasmo me consome, confesso (como quando eu escrevi no blog um post sutilmente ferino sobre Vinícius de Moraes – que Deus me perdoe!).

Eles demonstravam toda sua surpresa e sua aprovação à bela voz de Suzan... E eu só conseguia imaginar os subtextos.... Os comentários que eles NÃO fizeram. Algo assim:

Jurado Um: "Estou absolutamente perplexo! Como pode uma voz tão linda, vindo de uma pessoa tão feia!"

Jurado Dois: "Meu Deus! Se meus olhos estivessem vendados, eu ao te ouvir, seria capaz de jurar que você era uma mulher atraente! Você canta tão bem! Você canta como uma mulher atraente!"

Jurado Tres: "Uau! Com a sua voz e o corpo da Britney Spears, você dominaria o mundo!"

Segue o Video do You Tube, pra quem quiser dar uma olhada.

http://www.youtube.com/watch?v=j15caPf1FRk

WAY TO GO, SUZAN!

= )

segunda-feira, 18 de maio de 2009

LITURGIA É QUE É CONTRAVENÇÃO!


É engraçado que as vezes, tudo muda e ninguém parece perceber.

Hoje reli um tópico de uma comunidade sobre BDSM em que alguém (por quem tenho grande simpatia, cabe dizer) reclamava os seus direitos de não ser litúrgica. Quem tem boa imaginação, poderia quase vê-la ofegante,rasgando as roupas em desespero, gritando que achava liturgia uma grande babaquice. E que estava cansada de ser julgada como a “ovelha negra” do SM, só porque gostava de cenas publicas feitas sempre em um contexto de absoluta descontração. Para ela, pareceu-me, BDSM é algo simples e prático: Está com vontade? Vá e faça! Não está? Continue tomando sua cerveja (uma postura lógica e a ser respeitada, como qualquer outra) E ela parecia lutar muito por esse direito de ser respeitada nesse seu estilo, não litúrgico, até talvez anti-liturgico, de ser.
Quem não é do meio, e a vê, tão empenhada em seu ideal, poderia a imaginá-la como uma grande revolucionária, encabeçando um movimento novo e desconhecido aos tão retrógrados e puristas praticantes do BDSM, esses litúrgicos incorrigíveis que não permitem que no vasto leque do SM se abrigue qualquer um que não se ajoelhe imediatamente perante um TOP, no exato minuto em que notam sua presença.

E eu me perguntei: Será que eu e ela freqüentamos os mesmos clubes BDSM? Será que lemos os mesmos textos em comunidades, que conhecemos as mesmas pessoas? Será que vivemos o BDSM no mesmo mundo? Porque eu não vejo onde é que estão esses litúrgicos cruéis e intolerantes dos quais ela parece falar.
Como sempre posso estar errada em minhas analises, parei por um momento, tentando trazer á lembrança as ultimas 10 ou 15 cenas publicas que eu havia tido a oportunidade de presenciar. De fato, naquele dia, nenhuma delas havia sido algo que pudesse se classificar como litúrgico ou mesmo formal. Todas haviam sido cenas curtas, sem qualquer traço de reverencia ou tensão. Todas haviam sido cenas leves, nascidas como que de uma brincadeira. Em algumas, enquanto alguém apanhava no X em meio a risadas e comentários irreverentes, outros presentes nem observavam a cena, mas sim conversavam livremente, uns com copos de cerveja nas mãos, espontâneamente.
Tentei então relembrar, das pessoas com quem tenho algum contato, quais eu poderia chamar de litúrgicas, ao menos no que diz respeito a cenas e sessões SM. Achei uns 5 ou 6. Seguindo no exercício mental, consegui levantar entre meus conhecidos, em menos de 5 minutos, mais de 30 nomes de pessoas que realizam cenas na mais completa informalidade.

Cheguei a uma conclusão: Hoje em dia, Liturgia é que é contravenção!
Os litúrgicos, alem de serem minoria, por algum motivo, ainda recebem a fama de realizarem uma repressão que, no meu ponto de vista, não se verifica.

Não se verifica porque, os únicos litúrgicos de que consegui me lembrar, assistem as cenas dos não litúrgicos e as respeitam. Muitas vezes até fazem comentários que as exaltam em algum aspecto.

Nesse contexto, me pergunto, o que é igualdade?
Entendo que igualdade seria que não se apontasse como erro, nem a liturgia, e nem a falta dela. Que litúrgicos e não litúrgicos convivessem bem, sem que se pusesse a culpa pelos erros do SM, nem em quem se recusa a ajoelhar-se perante um TOP, e nem em quem se ajoelha prontamente, considerando esse ato uma demonstração de respeito.

Eu, que amo liturgia, me sinto a ovelha negra do SM quando leio posts que insinuem que liturgia é babaquice. Quem decidiu que se eu me ajoelho para meu Dono, estou desrespeitando aquela que cumprimenta o Dono dela com um tapinha jocoso nas costas?
Eu não me sinto ofendida quando presencio a irreverência. Eu sorrio para ela. Acho que é algo que demonstra intimidade. Acho que as cenas espontâneas podem ser lindas, também, dentro de um estilo que eu em geral não sigo, mas respeito.

Mas a mim, no que diz respeito ao tema, o que realmente encanta, arrebata, faz sonhar, é entrar em um Dungeon bem decorado, iluminado por velas, ambientado com musicas apropriadas e em que impera o silencio e a atenção do publico para com as cenas que se apresentam a seus olhos.
Gosto que existam sim, regras de conduta. Me agrada. Me envolve.
Gosto de simbologia. Gosto dos pequenos rituais. Gosto da organização.
Não imponho, nem tento impor a ninguém a liturgia que sigo. Até porque, ela exige um certo perfil. Não é todo mundo que se interessa. Esse é um ponto. Mas também não é todo mundo que é capaz compreende-la. E em geral, as pessoas que mais tiram sarro, que mais criticam, dizendo que se negariam veementemente a seguir essa liturgia, são exatamente pessoas que eu creio não terem nem mesmo condição de segui-la. Eu jamais as aconselharia a fazer as coisas que eu faço. Elas não querem. E eu não julgo que seria apropriado aos sagazes tiradores de sarro, o uso de rituais que são expressões de sentimentos intensos.

Digam o que disserem, eu que já freqüentei muitas plays litúrgicas afirmo que, o fato de haver toda uma ambientação e preocupação com a liturgia, não tira, de forma nenhuma, a força da entrega. Quem quer ser falso, é falso com ou sem liturgia. Quem quer simular, simula no silencio de um Dungeon a luz de velas, ou no barulho de um Dungeon informal. Liturgia não é falta de conteúdo. É exigência de conteúdo e expressão dele, de formas belas e cheias de símbolos.

Tenho amigos de todas as tribos e de todos os estilos no BDSM. Nunca deixei de cumprimentar ninguém ou de sentar a mesa com alguém apenas por ter um estilo diferente do meu. Mas o que vejo hoje, e me perdoem a honestidade, é uma divisão infantil. É quase como se houvesse uma mesa reservada para a massa critica, que está sempre pronta a ridicularizar toda e qualquer manifestação litúrgica. Que seria isso? Medo? Mas medo de que? Do diferente? Medo de que quem chega vá ser raptado pelos formais caso alguém não os oriente sobre os perigos da liturgia?

Que bobagem!

Seja Liturgico! Ou seja informal! Mas deixe de ser ANTI-LITURGICO. Isso sim é que é tirania!



=)

tavi