No começo se é criança, e a visão do bicho ousado subindo pela parede é devastadora. Não aceitamos, em nosso quarto, essa presença. Não contemos os gritos. Choramos por ajuda, até que alguém maior e mais forte, heroicamente, salve-nos do perigo e desespero, e atire o mal pela janela.
Depois, mais crescidos, decididos e inabaláveis adolescentes, mais ousados ainda que o inquietante animal, afirmamos com veemência que não o tememos. Ainda assim, pedimos socorro com olhar ausente e discreto. Não é medo – mentimos – é repulsa. Só isso. E ainda alguém nos livra da chateação.
Amadurecemos. Com o tempo aprendemos a matar nossas próprias lagartixas. A primeira nos traz a maravilhosa sensação de poder. A segunda, nos reafirma de nossa capacidade. A terceira, nos é indiferente.
E então, uma noite, somos seres independentes e solitários, olhando, no teto, a lagartixa que faz de nosso quarto, seu reino. No primeiro dia, ignoramos. Não contamos a ninguém que demoramos a dormir. Escondemos o fato de que por vezes, acorda-nos no meio na noite o coração violento, o corpo levemente tremulo e a mente em negação.
Mas o cansaço vem chegando, ainda maior que o bicho... Ainda maior que o medo...
Na segunda noite, entramos em casa exaustos, com nossos uniformes, nossos contratos e nossas chaves de carro... Lembramos do bicho. Olhamos pro teto. Pensamos em pegar a escada escondida numa pequena despensa do apartamento, mas caímos no sono antes disso. As vezes, sentimos calafrios e os ignoramos.
O terceiro dia é o da decisão. Revoltados pelas noites mal dormidas, os olhos fundos, o corpo dolorido, entramos em casa e vamos direto ao nosso quarto, caminhando pesadamente, orgulhosos de uma força imensa que nos dá a certeza de que o bicho está com os minutos contados. Mas no teto – surpesa! – não há nada.
Arrastamos móveis. Obstinados, reviramos a casa. Abrimos gavetas, tiramos quadros do lugar. Nenhum sinal. Balançamos a cabeça. Dizemos a nós mesmos “ela se foi.” Mas sentimos ainda sua presença, como algo pessoal, quase sádico, nos torturando e causando pesadelos.
É lá pela quinta ou sexta noite que a reencontramos. No alto da parede. Tão alto, tão longe... Mas nossa força já se foi. O consolo dos travesseiros e a esperança do descanso derrota nosso desejo por auto-superação. Pensamos enfim em tudo que aprendemos sobre as lagartixas, tão inocentes e inofensivas. Pesamos prós e contras até que, deliciosamente rendidos à hipocrisia e ao alívio que ela nos traz, fechamos os olhos, sorrimos pra ela, até. Dormimos tranqüilamente.
É então que a lagartixa sorri para nós. E desce, vitoriosa, de sua parede. Contorna a cama, debochada. Toca os nossos dedos dos pés. Acaricia-nos a batata da perna. Caminha, segura de si pelas nossas coxas e sem acordar-nos de um sonho bom, penetra-nos o sexo, aninhando-se enfim em nossas entranhas.
Nunca mais a vemos. Ela agora é parte de nós.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
O Dono da Chuva
Morei por muitos anos em um apartamento no 22º andar. Era o último andar do prédio e havia uma boa área descoberta. Eu e meu irmão ficávamos ouvindo o vento e esperando a chuva chegar, para correr pra lá e ter o simples, mas eufórico prazer de tomar chuva. A roupa molhada, pesada e grudada no corpo, as poças no chão em que escorregávamos, a sensação de perigo e da iminência da bronca que levaríamos quando fossemos pegos, se fossemos, e a cumplicidade que toda essa situação fazia nascer em nós, foram detalhes da minha infância que eu jamais esqueci.
Fui crescendo, mas a chuva continuava me proporcionando aventuras. O maior frio que passei em toda a minha vida, foi andando de moto, na chuva, com um amigo, que nessa noite, passou a ser um pouco mais do que amigo. Tremíamos muito,e eu acho que nunca abracei alguém tão forte na vida... Quando chegamos, ele me beijou como se beija alguém com quem se sobrevive...rs. Beijo na chuva, parece mais intenso, mais significativo...
Sexo na chuva é simplesmente inesqueccível . Tive algumas experiencias mágicas. Sexo na chuva gostosa de verão... Sexo na chuva torturante do inverno.... Sexo no carro, proibido, com a chuva caindo na janela e acobertanto o delicioso delito. Sexo e chuva, sempre me pareceu uma perfeita combinação. A chuva tem um poder erótico sobre algumas pessoas. Pensei que fosse só em mim, mas recente descobri que outras mulheres sentem o mesmo. De qualquer forma, esses foram momentos marcantes pra mim.
O tempo foi passando, e em 2008 me dei conta que nunca mais havia andado na chuva. Para mim, foi uma constatação frustrante... Eu ainda amo a chuva e todos os seus sons, seu cheiro, e as lembranças que ela trás pra mim. Eu namorava. Pedi ao meu namorado na época pra me levar passear na chuva. Mas eu andava um tanto doente, com uma tosse interminável, e ele, que não se animou nada com a idéia de ficar molhado por esporte, me lembrou da minha tosse, da minha saúde andava frágil.... O Namoro durou 2 meses e os 2 meses eu passei esperando a oportunidade irrecusável pra ele, pra que pudéssemos correr por uma tempestade. Foi um fim de ano seco.
Um ano depois, eu entrava em uma D/s. Passei a usar a coleira do SENHOR ÁSGARÐ e ele é testemunha do meu empenho pra levar alguém pra chuva... Fiz de tudo que é decente e indecente. Mas ele batia o pé e meu esforço virava uma competição entre nós, típica de nosso relacionamento, pra ver quem tem sua vontade satisfeita. Ele não cede, nesses casos. Pra ele - ele dizia - importa mais que só uma parte minha fique molhada... De fato, tem um lado meu que me faz molhar quando sou contrariada... Mas depois do gozo, a chuva continua... e eu me pego novamente irritada de não poder sair pra me molhar.
Um relacionamento acaba, outro começa, e ninguém quer andar na chuva comigo! – gritava a criança em mim.
Puxa, por que será que é tão difícil para um homem entender o sentido de tudo isso, ou, mesmo sem entender nada, por que um homem simplesmente não faz minha vontade??? Pra me agradar... pra me ver feliz! Essas coisas me passavam pela mente enquanto eu olhava as gotas se formando na janela. Eu estava triste. Eu estava frágil. A chuva era um antídoto, e eu estava envenenada. Eu seria capaz de chorar por isso. Eu ficaria deprimida. Eu dormiria o dia todo.
Foi então que ele segurou minha mão e disse:
- Vamos sair na chuva? – e sorriu seu melhor sorriso.
Eu olhei pra baixo, perplexa.
E ele insistiu:
- Mãe, por favor, só essa vez, vai... a gente pode ir andar na chuva?
Era verdade! Aquele 1.07 metro de gente tinha dentro dele a mesma vontade que gritava em mim. Ta certo, ele não era um namorado... não haveria beijo, nem desejo, nem romance.... Mas haveria diversão e haveria riso!
Fiz cara de quem diria não, mas ao mesmo tempo, abri a porta e puxei meu filho pelas mãos. Ele não acreditava. Nunca vou esquecer em sua expressão, o misto de surpresa e felicidade que vi aquele dia. Corríamos os dois, dançando na rua deserta e abandonada para que apenas nós fizéssemos uso da tempestade, digna de um dilúvio, que molhava nossas roupas e nossos cabelos. Ríamos. Éramos livres ali, para sentir alegria em sua manifestação mais eufórica e tola. Éramos tolos correndo na chuva, e adorávamos isso! Tinha que ser com ele. Mesmo que algum namorado tivesse me levado andar na tempestade, satisfazendo uma vontade minha, não teria sido tão divertido. Tinha que ser com ele. A chuva era dele, tanto quanto sempre foi minha. Ele era o Dono da chuva. A criança molhada, segurando minha mão, lembrava muito a criança que sorria dentro de mim.
- Mãe, a gente tá vivendo uma aventura – ele gritou.
Eu amo a chuva. Ela costuma ser o cenário de momentos muito preciosos pra mim.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
ELES...
Eu não tive escolha. A porta foi trancada assim que passei por ela, e a chave, um deles levou consigo para algum cômodo da casa, e retornou já sem ela em mãos. Ele sorria quando disse:
- Agora pra ir embora vc terá que me pedir.
Desviei o olhar. Tentei pensar em algo pra dizer.
Um deles sempre me deixava assim: tímida, sem reação, muito consciente de mim mesma e de todos os meus atos. O outro eu queria sempre agradar, mimar, queria sempre correr as mãos em seus cabelos e fazê-lo compreender todos os sentimentos que ele fazia nascer em mim. Mas a minha capacidade de me expressar era absolutamente reduzida por aquelas duas presenças inquietantes.
Um sabia claramente do meu desejo pelo outro. Eles compartilhavam minhas vontades e as discutiam de forma leve quando jantavam juntos. Um deles dizia que eu era excêntrica. O outro sabia que eu era especial.
Um me fazia sentir acolhida, manuseada com cuidado como uma pedra preciosa de um brilho fora do comum. O outro me deixava tensa e ansiosa, e sabia disso. E gostava disso.
- Quer beber alguma coisa? – um deles perguntou.
- Vinho – foi tudo o que consegui dizer.
Mas o vinho chegou e a bebida parava na minha garganta.
Ele tomou a taça de minhas mãos e bebeu o líquido adocicado. O outro deixou o copo de água sob a mesa e me beijou. Eu saboreava seus lábios quentes, os sorvia, os desejando profundamente em cada centímetro do meu corpo. Em seu jeito de beijar, ele deixava claros sentimentos guardados por tanto tempo. Eu sentia a suavidade de seu cuidado comigo, e sabia que ele esperara muito por esse momento. E no auge, quando o beijo não bastava mais em si, o outro me virou com força, interrompendo, se impondo, escorregando a língua em minha boca sem pedir licença, me invadindo, conquistando espaço em mim com uma facilidade que me humilhava. Eu não resistia. Eu permitia. Eu não tinha escolha. Que beijo estranho! Incomodo... e ainda assim, irresistível. O beijo dele era o desejo em sua forma mais simples. Luxuria pura. Poder... o poder dele em mim.
Eles brincavam comigo. Me passavam de um para o outro e eu admirava cada um, em sua habilidade de me mover, de fazer meu corpo responder aos toques das mais variadas formas. Eu estava entregue e perdida neles. Sentia o gosto de cada um. Um tinha gosto de mel e o outro de sangue. E os gostos se misturavam em minha boca. Eu não sabia mais quem era quem. Eu os via como dois seres diferentes e ao mesmo tempo como um só. Eles se fundiam, de vez em quando. Penetravam meu sexo como um único ser e lá dentro se dividiam... Eu explodia em prazer como nunca antes... Eu gritava pra ouvir minha própria voz e ter certeza de que eu não derretera e me tornara um com eles. Não. Eu permanecia. Eles... eles, como vultos incertos, é que as vezes entravam na mesma sombra e sorriam satisfeitos, orgulhosos de me deixarem absolutamente confusa e feliz.
Ficou na minha memória o gosto doce e seco dessa noite. E nunca pude saber ao certo se sonhava ou se vivia.... Se eram dois ou apenas um, separados por alguma divindade jocosa, e enviados pra me provocar, pra divertir, pra me salvar do tédio dos dias e das pessoas constantes, das divisões exatas dos seres tão exatos. Ou ainda - e havia essa possibilidade – se era um só e minha mente o dividia. Se eu sentia, com ele, um mundo de alternativas e caminhos tão opostos.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
CONT@TO
Antigamente, o contato direto, olhos nos olhos, permitia ao ser humano analisar melhor cada situação e cada pessoa, e dava-nos a certeza de que a linguagem corporal, como uma forma de permanecer em pé, ou um movimento muscular, como um franzir de testa, denunciaria sentimentos, tanto nossos, como de nossos interlocutores. Era tudo mais simples. Tudo mais direto. Tudo um pouco mais preto no branco.
A internet abriu um mundo de possibilidades. Ela nos trouxe a vantagem de que através dos comunicadores, dos sites de relacionamentos, e salas de chat, podemos retomar contato com pessoas que, em outros tempos, povoariam apenas as nossas lembranças. A Avó antiga contava aos netos histórias sobre o idealizado primeiro namorado. A avó atual, conta aos netos sobre o primeiro beijo. Eles perguntam: Foi com aquele careca no teu Orkut que vive enviando correntes? Nossa, que homem chato!
Também podemos facilmente matar as saudades de nossos queridos que residem em outros estados, ou até mesmo outros países. A internet abriu muitas portas e simplificou, sem duvida, nossas vidas.
Mas também é verdade que o contato virtual traz consigo alguns perigos. Uma falha de conexão em um momento delicado de uma conversa mais acalorada, pode ter sérias conseqüências. “Como ele pode simplesmente desligar o MSN na minha cara?” – você pensa, enquanto no Rio Grande no Norte, seu amor virtual olha pra janela, angustiado, torcendo pra que a tempestade acabe logo e a conexão retorne e possa lhe fazer uma jura de amor eterno, ou então, dar-lhe finalmente o “Foda-se” que lhe ficou entalado na garganta. Ou melhor, nos dedos.......
E dedos não são confiáveis. Quem já digitou por mais de três horas, bem o sabe. Uma letra em lugar errado e pronto, perdemos um amigo, um afeto ou um possível relacionamento. É como o caso de um amigo meu que havia conseguido finalmente o MSN da menina que ele tem admirado por muitos anos. Na sua saudação, ela havia escrito uma mensagem, dizendo que estava triste. Ele foi mostrar solidariedade:
Rogério: Jéssica, não fica triste assim.... Vem cá... Encosta sua cabecinha no meu pinto e se abre pra mim.
Rogério: ooops... pinto não, PEITO. Eu não quis dizer pinto, não...
Rogério: e o “se abre pra mim” não foi o pareceu.... RS... do lado de pinto pareceu coisa de tarado mas não era não
Rogério: Jéssica? Cadê você?
Há também a infelicidade das coincidências.... Em seu Orkut, numa tarde ensolarada, meu irmão conta que mudou sua “Status Message” para “OH HAPPY DAY”, o que expressava seu sentimento de felicidade naquele belo Domingo de sol. Dois dias depois, recebeu o seguinte e-mail mal educado de seu melhor amigo:
Você não precisava ter feito isso. Eu sei que você nunca gostou muito da minha mãe, sei que ela não te tratava muito bem e sei que vc, como todos os meninos do prédio a apelidaram de Dona Doida. Eu concordo que minha mãe era uma mulher geniosa, mas nunca esperei que você colocasse em seu ORKUT a frase “Oh happy Day” no dia em que minha mãe faleceu. Que falta de consideração. Estou te deletando do meu Orkut.
Deletar alguém do Orkut hj em dia, equivale a um assassinato. É algo grave, que machuca o ser deletado, as vezes mais que o ser traído. Conheço um casal que já não andava bem. A namorada trocou seu nome por três pontinhos, numa tentativa de exteriorizar a sua dor. O namorado se conectou e viu entre seus amigos alguém sem nome e sem foto. Não teve dúvidas. Deletou o ser misterioso. Horas depois recebeu uma ligação da namorada. Ela gritava:
- Você me traiu, e eu podia até passar por cima disso. Mas me deletar do ORKUT? O que meus amigos vão pensar? Alem de ter me traído, você me ignora e me DELETA. Pois bem, Delete-me de sua vida.
E lá se foi um namoro de dois anos.
E muitos e muitos namoros se vão por falta de cautela no ambiente virtual. Antigamente os infiéis não mantinham listas de contato, revelando todos os possíveis casos amorosos extra-conjugais que aguardavam sua vez. É comum, hj em dia, a amante, por “descuido” enviar uma mensagem de duplo sentido a seu querido, noivo de outra, sabendo que a oficial sempre passa pelo site de relacionamento de seu amado noivo, simplesmente pelo prazer de ali deixar uma mensagem de bom dia.
Os mais críticos, neste ponto, podem estar ressentidos com os infiéis. Não se deve dar-lhes razão, mas é preciso dar-lhes o atenuante de que a internet cria um ambiente absolutamente propicio às traições. Alguns recursos da rede a tornam parecida com um grande mercado de pessoas, que qualquer um pode freqüentar em seus pijamas, desde que tenha uma boa foto tirada em frente ao espelho para disponibilizar. E quem, sendo absolutamente honesto, pode afirmar que não tem em sua lista um amigo, um ex namorado, um conhecido do escritório que, vez por outra, envia um emoticon não muito apropriado? Ou demonstra uma preocupação ou um carinho levemente excessivo? Resumindo, todos nós somos desejados, ao menos moderadamente, tendo ou não consciência disso. Considerando que todo ser desperta desejos, qualquer um que tenha mais de 50 pessoas em sua lista, não poderia, sem fazer uso de hipocrisia, negar que é bem possível haver um certo numero desses, aguardando uma chance de demonstrar que nutrem por nós, alem de amizade, o famoso “algo mais”.
A grande vantagem disso tudo, é que aprendemos a conviver com a humanidade dos seres. Fica explicito que não existe perfeição, nem na conduta, nem no uso do Português. Fica inegável que gostamos de ser admirados, que amamos falar de nós mesmos, que temos momentos de fúria e de profunda solidão. Tiramos conclusões precipitadas. Somos capazes de lidar com o fato de que outras mulheres desejam nossos namorados, e de que somos desejadas pelos namorados alheios. São sentimentos. Não precisam virar atitudes. Podem ser negados, escondidos na ausência da tecnologia. Mas com a modernidade, vem a necessidade de nos olharmos mais no espelho, de nos assumirmos mais, de nos compreendermos melhor. A internet causa grandes mal entendidos, que, se analisados, esclarecem muito sobre a natureza humana. Cabe a cada um, quando cruzar com os defeitos alheios em qualquer sala de chat, exercitar a compreensão, ter um pouco mais de paciência... e apenas em ultimo caso, e frente à certeza da má intenção do outro, clicar alguém para fora de nossas vidas modernas.
=)
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
ILUSÃO DE OPTICA?
E-mail de uma submissa para sua melhor amiga, relatando uma sessão:
Hoje meu Dono me testou... Bem no meio da semana, me surpreendeu com uma mensagem de texto: Quero você, as 4 horas me esperando na esquina do escritório. PS: Você deve estar usando apenas um vestido simples, curto, com nada por baixo. E leve consigo um pacote de velas comuns.
Senti arrepios. Ele sabe o quanto exposição é difícil pra mim. Mesmo assim, mandou que eu ficasse na rua, exposta aos olhares. Eu adoro o quanto ele me observa, sabendo meus pontos fracos e como trabalhá-los.
Entrei no carro, e ele mandou que eu permanecesse em silencio até que chegássemos. Fiquei muda o caminho inteiro, o que despertou minha ansiedade e minha libido.
Ao chegarmos ao motel, ele usou algumas estratégias de humilhação. Me deixou deitada, e ficou assistindo a um filme porno, elgogiando a performance das atrizes, como se as desejasse muito mais que a mim. Tudo isso pra depois me compensar com vários minutos de sexo intenso, e violento. ...
Depois, me amarrou e deixou-me presa por 40 minutos. Fui às nuvens, estando tão indefesa. Eu o adoro por isso. Ele sabe exatamente o que fazer para despertar em mim sentimentos tão deliciosos.
Me desamarrou ao voltar e usou em mim um chicote de três metros... Em cada golpe eu sentia o seu cuidado, o seu desejo sádico, e eu, honrada por ter sido escolhida para a estréia de seu novo chicote, sorria o tempo todo... Ele voltou do banho e ainda me presenteou com uma sessão de velas. Eu tenho um pouco de dificuldade com isso, mas ele foi bem compreensivo. Foram somente alguns pingos, afinal, ele conhece os meus limites e os respeita...
Deixou-me no metro, após ter me ordenado a sair do motel sem tomar banho, sentindo em mim o seu gozo...
Cada vez mais me convenço de que encontrei tudo o que procurava. Um Dono capaz de me perceber, me conhecer, me observar, e tirar de mim o melhor!
PS : Querida, o Dono disse que tem um amigo, um Dominador sério, 12 anos de experiência que ele queria apresentar pra você! Tomara que de certo!!!!!!!!!!!!!!!!!
*******************************************************************
E-mail do Dominador, para seu melhor amigo, relatando a mesma sessão:
Cara, essa coisa de ser Dominador está finalmente se pagando!
Essas submissas são sem duvida o melhor custo-benefício, em se tratando de mulheres.
Ontem acabou a luz no escritório. Fiquei meio sem ter o que fazer, morrendo de tédio numa sala escura. Ah, liguei pra sub... hehe! Na verdade eu só mandei um torpedo e ela apareceu na porta do escritório. Já mandei a doida vir com pouca roupa, que da ultima vez ela me pareceu com um corset.... Mó preguiça abrir aquela coisa e ela é tão tontinha que sozinha ia demorar um ano.... comi ela de corset mesmo (HUAHUAHUA). Ontem já mandei vir preparada.
Bom. O problema de comer essas minas é que elas vem sempre com papo cabeça sobre dominação psicológica, sobre o que é submissão... Mas eu já to ligado no esquema. Dei ordem e ela foi muda até o motel. Nossa. Quase gozei ali. A mina é muito chata!
O lado ruim é que, sei lá, eu não tenho muita atração por ela. Mas eu num sou dominador? Eu to esperto, malandro!!! Pus um filme porno.. Nossa, tinha umas minas muito gatas. Cara, tinha uma loira tão linda que eu dei um fora animal. Fiquei falando da mina do filme pra sub. HUAHUAHUA. O mal de motel é que tem filme a vontade, mas não tem mano pra comentar..... Bom, já foi, paciência.
Aí depois, parti pra ataque!! HEHE. Fiz tudo o que quis. Essas minas são assim. Tem um papo meio estranho, mas a trepada compensa.
Ow, cara, conheci uma no chat essa semana. Gatinha mesmo... Só que ela disse que é hard e tal. Hard é assim, a mina que pra comer tem que bater mesmo... pra valer. Totalmente pirada. Mas beleza. Comprei um chicote de cavalo no mercado livre. Tava meio gasto, mas foi o que deu. Aí ontem testei na sub no motel. HUAHUA... COMÉDIA CARA!!! Não é fácil como eu tava pensando. Quase arranquei um pedaço da orelha da coitada.... Ainda bem que ela num falou nada... Vou ter que treinar mais pra conseguir sair com a loira do chat.
Bom, deixei a doida amarrada, tomei um banho de hidro, e em menos de duas horas eu tava de volta no escritório... ainda apareci com um pacote de velas que mandei a sub comprar. HEHE... Meu pagamento, né... quem pode, pode. É lógico que eu tive que fazer uns pingos nela, pra não ficar na cara... Mas num gastei nada. Saí o pacote tava novo. 6 da tarde eu tava deixando as velas na mesa do meu chefe... o que pegou bem... o cara ainda ia ficar no escritório até as sete, na penumbra.
Comi a sub, num tive encheção de saco, e ainda fiz uma média no trampo.
Meu, e já to arrumando uma amiga da doira pra você! Cara, escolhe logo esse nick aí que cê não sabe o que está perdendo!!!!!!!!!!!!!!!!
HUAHUAHUAHUAHUAHUA!!!!!!!!!!!!!!!
*******************************************************************
DISCLAIMER: Tá, não to dizendo que é sempre assim, mas as vezes é bem assim... rs
Olhe fixamente para o ponto preto. Depois mova o corpo para frente e para trás.
Imagem criada por Phillippe G. Schyns e Aude Oliva
Hoje meu Dono me testou... Bem no meio da semana, me surpreendeu com uma mensagem de texto: Quero você, as 4 horas me esperando na esquina do escritório. PS: Você deve estar usando apenas um vestido simples, curto, com nada por baixo. E leve consigo um pacote de velas comuns.
Senti arrepios. Ele sabe o quanto exposição é difícil pra mim. Mesmo assim, mandou que eu ficasse na rua, exposta aos olhares. Eu adoro o quanto ele me observa, sabendo meus pontos fracos e como trabalhá-los.
Entrei no carro, e ele mandou que eu permanecesse em silencio até que chegássemos. Fiquei muda o caminho inteiro, o que despertou minha ansiedade e minha libido.
Ao chegarmos ao motel, ele usou algumas estratégias de humilhação. Me deixou deitada, e ficou assistindo a um filme porno, elgogiando a performance das atrizes, como se as desejasse muito mais que a mim. Tudo isso pra depois me compensar com vários minutos de sexo intenso, e violento. ...
Depois, me amarrou e deixou-me presa por 40 minutos. Fui às nuvens, estando tão indefesa. Eu o adoro por isso. Ele sabe exatamente o que fazer para despertar em mim sentimentos tão deliciosos.
Me desamarrou ao voltar e usou em mim um chicote de três metros... Em cada golpe eu sentia o seu cuidado, o seu desejo sádico, e eu, honrada por ter sido escolhida para a estréia de seu novo chicote, sorria o tempo todo... Ele voltou do banho e ainda me presenteou com uma sessão de velas. Eu tenho um pouco de dificuldade com isso, mas ele foi bem compreensivo. Foram somente alguns pingos, afinal, ele conhece os meus limites e os respeita...
Deixou-me no metro, após ter me ordenado a sair do motel sem tomar banho, sentindo em mim o seu gozo...
Cada vez mais me convenço de que encontrei tudo o que procurava. Um Dono capaz de me perceber, me conhecer, me observar, e tirar de mim o melhor!
PS : Querida, o Dono disse que tem um amigo, um Dominador sério, 12 anos de experiência que ele queria apresentar pra você! Tomara que de certo!!!!!!!!!!!!!!!!!
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E-mail do Dominador, para seu melhor amigo, relatando a mesma sessão:
Cara, essa coisa de ser Dominador está finalmente se pagando!
Essas submissas são sem duvida o melhor custo-benefício, em se tratando de mulheres.
Ontem acabou a luz no escritório. Fiquei meio sem ter o que fazer, morrendo de tédio numa sala escura. Ah, liguei pra sub... hehe! Na verdade eu só mandei um torpedo e ela apareceu na porta do escritório. Já mandei a doida vir com pouca roupa, que da ultima vez ela me pareceu com um corset.... Mó preguiça abrir aquela coisa e ela é tão tontinha que sozinha ia demorar um ano.... comi ela de corset mesmo (HUAHUAHUA). Ontem já mandei vir preparada.
Bom. O problema de comer essas minas é que elas vem sempre com papo cabeça sobre dominação psicológica, sobre o que é submissão... Mas eu já to ligado no esquema. Dei ordem e ela foi muda até o motel. Nossa. Quase gozei ali. A mina é muito chata!
O lado ruim é que, sei lá, eu não tenho muita atração por ela. Mas eu num sou dominador? Eu to esperto, malandro!!! Pus um filme porno.. Nossa, tinha umas minas muito gatas. Cara, tinha uma loira tão linda que eu dei um fora animal. Fiquei falando da mina do filme pra sub. HUAHUAHUA. O mal de motel é que tem filme a vontade, mas não tem mano pra comentar..... Bom, já foi, paciência.
Aí depois, parti pra ataque!! HEHE. Fiz tudo o que quis. Essas minas são assim. Tem um papo meio estranho, mas a trepada compensa.
Ow, cara, conheci uma no chat essa semana. Gatinha mesmo... Só que ela disse que é hard e tal. Hard é assim, a mina que pra comer tem que bater mesmo... pra valer. Totalmente pirada. Mas beleza. Comprei um chicote de cavalo no mercado livre. Tava meio gasto, mas foi o que deu. Aí ontem testei na sub no motel. HUAHUA... COMÉDIA CARA!!! Não é fácil como eu tava pensando. Quase arranquei um pedaço da orelha da coitada.... Ainda bem que ela num falou nada... Vou ter que treinar mais pra conseguir sair com a loira do chat.
Bom, deixei a doida amarrada, tomei um banho de hidro, e em menos de duas horas eu tava de volta no escritório... ainda apareci com um pacote de velas que mandei a sub comprar. HEHE... Meu pagamento, né... quem pode, pode. É lógico que eu tive que fazer uns pingos nela, pra não ficar na cara... Mas num gastei nada. Saí o pacote tava novo. 6 da tarde eu tava deixando as velas na mesa do meu chefe... o que pegou bem... o cara ainda ia ficar no escritório até as sete, na penumbra.
Comi a sub, num tive encheção de saco, e ainda fiz uma média no trampo.
Meu, e já to arrumando uma amiga da doira pra você! Cara, escolhe logo esse nick aí que cê não sabe o que está perdendo!!!!!!!!!!!!!!!!
HUAHUAHUAHUAHUAHUA!!!!!!!!!!!!!!!
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DISCLAIMER: Tá, não to dizendo que é sempre assim, mas as vezes é bem assim... rs
Olhe fixamente para o ponto preto. Depois mova o corpo para frente e para trás.
Imagem criada por Phillippe G. Schyns e Aude Oliva
sábado, 21 de novembro de 2009
EU, LIVRE?
Não, jamais... A liberdade não existe.
Mas guarde uma coleira pra mim... Quem sabe o tempo... Quem sabe a vida... Quem sabe...
Agora não. Me aceite, solta. Deixe de lado as correntes. Ainda é tua boca que beijo. Ainda é o teu corpo que recebo. Ainda dependo do cheiro do sangue que tiras de mim, porque permito.
Mas assim: nesse formato novo, único, estranho e incompreendido.
Depois, aceito um final feliz, se ele estiver no meu caminho. Guarde uma coleira pra mim...
Eu não a quero. Eu não a superestimo... Não a idealizo.
Sou posse de tanta gente, de tantos lugares... de tantos cheiros e de tantas lembranças que mudam, se revezam em minha mente da hora que acordo até meu rosto voltar a tocar um travesseiro.
Sou posse dos meus amigos e das pessoas que amo. Me visto pra elas. Me moldo, por elas. Mudo de intensidade e sabor, pra cada uma delas.
Mas hoje, só hoje... só esse mês, talvez só esse ano, não quero nomes no meu pescoço. É preciso desfazer alguns nós, pra que a corda não se rompa.
Eu preciso dormir uma noite sozinha, em uma cama minha, pra que eu não me perca.
Mas guarde uma coleira pra mim... Quem sabe o tempo... Quem sabe a vida... Quem sabe...
Agora não. Me aceite, solta. Deixe de lado as correntes. Ainda é tua boca que beijo. Ainda é o teu corpo que recebo. Ainda dependo do cheiro do sangue que tiras de mim, porque permito.
Mas assim: nesse formato novo, único, estranho e incompreendido.
Depois, aceito um final feliz, se ele estiver no meu caminho. Guarde uma coleira pra mim...
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
ANDROGINIA
Simples assim.Acordou e não havia sequer uma carta de Adeus.
Ela se fora e levara com ela até as cartas de amor antigas. Até as canções.
Ele ficou horas e horas jogado na cama vazia, tentando imaginar o porquê.
Rastreou sua mente buscando por culpas, por falhas, e não as encontrou.
Lembrou cada palavra das ultimas conversas e não havia palavra torta. Os beijos tinham sido todos perfeitos. Os momentos, todos mágicos. Os toques, cada um deles intenso e avassalador.
Olhou também para os seus sentimentos por ela. Estavam todos ali, como sempre haviam estado. A única macula agora era a tristeza e essa dor aguda, no meio de tanto amor e desejo.
Ele estava perdido. Chorou e em seu choro perguntou-se se ela podia senti-lo. Se pudesse, ela saberia que há certas coisas que não se faz. Até um abandono é aceitável. É um direito de todo ser que ama deixar de amar. Mas abandono sem explicação é crueldade. E crueldade não é aceitável.
Ele então se convenceu de que tinha de fazê-la saber de seu sofrimento. E teve algumas boas idéias. Mas quando era hora de colocá-las em prática, algo o segurava. Ela sabe – ele pensava – Ela sabe e simplesmente não se importa.
Olhou no espelho. Odiou suas vestes de homem. Despiu-se. Odiou então o próprio membro. Odiou-se por ser homem e não saber. Se fosse mulher, pensou, certamente saberia o motivo do abandono. Com certeza a essa altura, algum ombro se dizendo amigo, revelaria comentários e desabafos antigos que explicariam o fato. Saberia ele porque havia sido condenado a tão dura pena. Seria digno, como são dignos os criminosos na prisão, a quem não se nega o direito de conhecer a acusação que pesa contra eles. Lembrou com certa inveja, de que mesmo aos assassinos se dá o direito de defesa, o direito de ter sua vida exposta e dissecada em julgamento. O direito de ver os lábios das testemunhas que os destroem moverem-se, e de impor que elas não digam nada até que façam um juramento. E nem aos que se encontram no corredor da morte, aguardando execução, é negado o direito das ultimas palavras. Já as dele, lhe foram negadas. Nada lhe foi perguntado. Nada foi considerado. A ele só couberam a condenação e o silencio.
Talvez fosse ainda pior. Talvez não houvesse um fato, uma desconfiança, um mal entendido. Talvez ela tivesse simplesmente se cansado dele, como cansam tantas vezes os amantes uns dos outros. E tivesse optado por evitar o transtorno de ter que explicar. Talvez não soubesse ela, ou não quisesse, lidar com a tristeza que causava.
Mais uma vez, ele chorou, agora frente à certeza de que nunca saberia o porquê.
Depois, derramou ainda algumas lágrimas que brindaram um passado de sentimentos tão fortes, de um amor inexplicável, de uma ligação incomum, de sonhos, tantos sonhos, que ela havia renegado, e que ele, deveria, com o tempo, aprender a renegar também.
Chorou a solidão. Só ela o completava.
Andou então até o retrato dela, abandonado na estante. Admirou mais uma vez seus traços doces. Correu os dedos, tocando-lhe a imagem dos cabelos. Deixou até que seus lábios tocassem os dela, estáticos e frios, protegidos pelo vidro. Desnudou-a dessa proteção. Pegou a foto, já sem moldura, nas mãos tremulas. Em um impulso violento, quis rasgá-la. Não pode: era ela!
Mas teve forças de agarrar um lápis oportuno que deitava na mesinha. E sob os lábios delicados, pintou-lhe um terrível bigode.
Mas teve forças de agarrar um lápis oportuno que deitava na mesinha. E sob os lábios delicados, pintou-lhe um terrível bigode.
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