
Ela foi abençoada com esse dom. Ela sabe sentir dor com a expressão de quem passeia no parque. E sabe também encher o olhar de desespero, a ponto de causar piedade a um Dominador, ou prazer a um Sádico, sem estar sentindo um pingo de dor real. É pura desensibilização. Quando você aprende que não importa quanta dor você sentir em um momento, essa dor, eventualmente passa, você se torna alvo móvel e rápido. Quando você entende que se a dor for realmente insuportável, você desmaia e para de sentir, não há dor que te dobre. Há o que te fira, o que te mate, mas não o que te dobre. Então, você passa a ser uma pessoa perigosa. Você não é mais escrava das suas reações. Você não mais reage, e sim escolhe a impressão que quer passar... Em tudo. Quem controla a dor, controla tudo. Amor, carinho, raiva, medo, tédio, repulsa e paixão... nada é mais difícil de controlar e de forjar do que a expressão primária de dor.
Poder total. E ainda assim, corrompimento zero. Ter poder e ter sabedoria ao mesmo tempo... te leva a entender que não é conveniente, nem ético, usar de todo o poder que te cabe, ainda que por mérito. Manipular... é fácil. Ela tem plena convicção de que pode.
Poder total. E ainda assim, corrompimento zero. Ter poder e ter sabedoria ao mesmo tempo... te leva a entender que não é conveniente, nem ético, usar de todo o poder que te cabe, ainda que por mérito. Manipular... é fácil. Ela tem plena convicção de que pode.
Mas então chega aquele que ela não quer dominar. Aquele com quem ela não ousa usar todas as armas que tem. Ele a vence porque sabe exatamente como causar nela esse desejo de não fingir e não forjar. Essa honestidade de admitir sua dor e sua verdade, mesmo que relutantemente, após uma batalha, que ela começa sem saber por que. O instinto felino a move e ela escapa, foge de si mesma e dele, arranha e fere. Até que ele a convence a guardar as garras e rastejar pra perto. E se enrolar em suas pernas. Ele a afaga e ela eleva o ventre que implora por toque. Ele a toca e ela escorre em seus dedos como gelo derretido. Ele a toma para si e a invade e ela se abre e se expõe para que ele a conheça, e a tenha, profundamente. Encaixe perfeito. Ela pode então fechar os olhos e sentir. Com ele, e só com ele, ela simplesmente...reage, se deixa levar. Não é isso a própria submissão, em uma de suas facetas mais complexas?

Carne dele, quente, que pulsa e se faz ainda mais rígida dentro dela. Carne dela, que capta o calor e a textura. Movimento que se intensifica e é transformado em prazer físico, inexplicável, indescritível. Ela o envolve e suga, ferozmente. Ele se impõe supremo, rompendo as barreiras, desafiando o atrito. Ela recua e ele a persegue, e se vinga em um impacto brusco. Ela dói e geme. E sente que ele é maior. Que se coloca até o fim do espaço que ela tem a oferecer. Ela teme. Esse temor a excita ainda mais. Ele navega em seu corpo, sem piedade e causa dor e desconforto... e também um prazer maior que tudo. Ela se move, projetando-se, oferecendo-se em impulsos. Seu corpo dança com o dele. Mais... e mais... Ela sente como se seu sexo derretesse. Como um choro que vem vindo até que explode. Desespero e alívio. O gozo sobe em ondas elétricas e caminha nela, corpo e mente. Os olhos se fecham e a cabeça é jogada para tras. Um sorriso se abre em seus lábios. Ela aos poucos volta a si. Ainda desnorteada. Ela quer agora virar de lado, abraçar seu cobertor e dormir tranqüila por alguns minutos. Mas ele continua... continua... E tudo volta. Eletricidade, prazer e dor.

Depois, ele demora pra sair dali... fica uns minutos observando como ela reage. Espera sua respiração voltar ao normal. As vezes ele brinca dizendo algo como “ Eu podia ficar aqui pra sempre”. Ela ri e diz “Olha, pra sempre é muito tempo...e isso dói!” - e faz cara de menina assustada. Ele ri e se retira dela... as vezes de uma vez.. as vezes aos poucos... Ela se sente molhada por dentro. Ele adormece. Ela fecha os olhos, aperta as coxas e fica sentindo...sentindo.... até adormecer.