sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A MASOCA NÃO ESTAVA

A noite era linda e quente, e muitas estrelas estavam presentes, mas a masoca não estava.
Houve frustrações e desentendimentos. Eu ouvi coisas que não queria ouvir e disse coisas que não queria dizer.

Ele estava lá e me deu colo quando precisei. Eu devo ter sorrido um pouco mais do que eu podia sorrir. E mesmo sorrindo, eu sabia que não estava bem. Eu sabia. Mais ninguém.

A noite seguiu seu curso. Vieram as vontades de sempre. Quando ele ria, era o riso sádico que eu conheço tão bem. E seu olhar era um aviso e uma promessa de que aquela noite não terminaria sem que se ouvisse o som dos chicotes. Ele estava inteiro, e forte. E eu parecia inteira e forte.

- Vai ter cena hoje? – alguém perguntou – Queria ver a tavi apanhar.

Essas frases, em qualquer outra noite teriam sido pra mim grande incentivo. Aquela noite, elas pareciam cruéis. Era tudo tão estranho. Tudo tão tenso e melodramático... E eu me vi frágil. Eu não gosto muito de me ver assim.
-Vai ter cena, Dono?

Ele acenou que sim.

Eu devia ter dito que não estava bem, mas fiquei olhando ele mexendo nos chicotes... Vi nele sadismo e desejo. Se eu dissesse que não estava bem e ele desistisse, eu teria raiva de mim mesma. Se eu dissesse que não estava bem e ele ignorasse, eu nem sei como me sentirua. Achei que fosse melhor não dizer nada. Tantas coisas já me entristeciam... eu não podia correr o risco de ter que lidar com uma avalanche de duvidas quanto a minha submissão naquela noite. Era mais fácil aceitar. E naquele momento eu precisava que tudo fosse o mais fácil possível. Me preparei e andei para o X, afinal, depois de uns cinco minutos sentindo os golpes, eu provavelmente me deixaria levar pelo prazer. Eu ficaria bem. Eu sairia de lá me sentindo tranqüila e anestesiada.

Mas os golpes vieram fortes e o prazer parecia ter se atrasado. Eu não sentia como eu costumo sentir. A dor não se sublimava, não me entorpecia, não causava nenhum dos seus efeitos mágicos sob mim. A dor era pura e cruel. Eu me sentia derrotada por um simples flogger. Era ultrajante! Eu sentia vergonha ... e medo de sentir mais vergonha.

Por duas vezes ele perguntou se eu estava bem, e por duas vezes eu menti.
Ele continuou e repentinamente, parei de sentir dor. Mas eu ainda sofria. Pela primeira vez parece que todos os meus pequenos problemas da semana, as dificuldades e desentendimentos daquela noite, a minha autocrítica e o meu perfeccionismo, tudo que me tirava o sono, me encontrou, no X. Isso nunca acontecia. Era como se eles tivessem descoberto meu esconderijo secreto, onde eu tinha paz...sempre... sempre... E a dor voltou nua... completamente nua.

Eu sempre soube que tem dias em que, por mais masoquista que seja uma pessoa, ela simplesmente não está bem e não vai receber a dor da mesma forma. Eu sabia, mas nunca antes havia estado em uma cena pesada numa dessas ocasiões. É importante uma sub dizer ao Dono como se sente, quando ele pergunta. Eu sempre soube. Mas eu simplesmente não consegui. Mais que isso. Eu menti. E menti muito bem.
Os golpes continuaram... A explosão de sentimentos que eles me traziam é difícil descrever. Havia prazer, sim. Mas também havia ansiedade, tensão e choro sentido. Eu não conseguia me concentrar. Pensava em coisas que nada tinham a ver com o momento. Eu não estava inteira ali.
Então veio o sangue... eu o sentia escorrer . Eu me sentia um pouco melhor. E a arrogância masoquista deu as caras por uns segundos... E u o desafiei... Um pouco porque achei que ele teria pena de mim, ou que já estivesse cansado pra continuar... Eu blefei. Eu fiz pouco caso da dor. Eu o desafiei.

Ele optou então por fazer uso do único de seus chicotes que eu, mesmo sendo orgulhosa como sou, seria capaz de implorar de joelhos pra ele nunca usar em mim.
Eu o vi pegar o chicote mais odioso do mundo no meu ponto de vista.
Eu não acreditava que ele faria isso.

Foram poucos golpes, mas certeiros e educativos ...e me passaram boas mensagens.

A masoca não estava. A submissa apanhou pela primeira vez nessa relação.

Apanhar por submissão não é fácil, e na hora, nem é tão gostoso... mas depois... depois de um tempo, a sensação de ter sido usada para o prazer sádico de um homem é simplesmente deliciosa.............................






Maaaasssssssssssssssssssss... da próxima vez que eu estiver assim, Dono, pode ter certeza de que eu vou te contar...rs... ou não? Ai... eu vou... eu vou...

5 comentários:

Denise disse...

A sub que em mim habita teria chorado a tua dor, bem sei quanto doi cada vez que o chicote busca a pele.

A sub que habita em mim mesmo chorando sorri feliz pela maso que existe em vc sentir este prazer estranho da dor pelo outro.

beijos saudosos

tavi disse...

De, foi uma experiencia e tanto... Beijos mil pra ti! Te gosto demais!

nila disse...

simplesmente lindo
corajosa rsrsrs

tavi disse...

nila,
agora que passou...rs... me sinto corajosa..rsrs

Beijos mil pra ti

Anônimo disse...

Tavi, esse teu texto me ajudou muito a entender como funciona a dor em mim. Você descreve extamente o que eu nunca consegui por em palavras.

Escreva mais, escreva sempre.

beijos,
Carol

tavi