sexta-feira, 13 de maio de 2011

SPOTLIGHT


Eu sou o iluminador, atento e pronto.
Perto do palco, sempre. De frente pra ele
Tudo aquilo que sei, eu esqueço
O que a noite trará, desconheço...
É verdade que o roteiro já me foi apresentado
E que os atores, nas coxias, são todos meus amigos...
Ah, mas quando lanço no escuro teatro a luz do dia
Não há texto que persista, ou que resista ao momento
Cada instante é novo e único, no palco e fora dele
E vem você e me fala em representar emoções?
Em cumprir um papel? Em fixas atribuições?
Lêem-se textos, decoram-se idéias,
Repetem-se os poemas...
Só se transmite o que se sente
E isto não se pode prever.


Eu direciono a mente
É a minha sombra que reflete
A minha luz que compromete
Na cena, a doce canção à meia luz
No claro incontestável, é diferente.
E a Prima Dona, sem o meu brilho, que seduz
É só mais uma adolescente.
Eu mudo tudo! Eu escolho.
Sou eu que excluo ou acolho
A cor que eu lanço em tua face
É que te faz grande ou forte
Lenta ou triste, pálida, louca ou cruel...
Tanto, que o mal que me fazem
Não é mais que delírio meu
Só te dói o tapa que recebes, que tu aceitas
O rosto é teu. Todo teu!
Se te amo, é que escolho ter em ti a luz suprema
O amor que te dedico, o que explicito
Sou eu sempre. E sempre sou eu.

tavi de ÁSGARÐ 04/2011

tavi