
É verdade que minhas notas na escola eram boas. Que era pra mim que pediam ajuda nos trabalhos de Inglês. Que eu sempre terminei minhas redações mais rápido que o resto da turma, que em geral suava na carteira, tentando descobrir como passar idéias para o papel de forma minimamente ordenada. Amava história e esse amor era recompensado com no mínimo um 9. Geografia nunca foi problema. Eu assumo que matemática, física e química nunca receberam minha melhor atenção ou desempenho... Mas de alguma forma, no ultimo momento, quando eu entendia que por mais que eu odiasse essas matérias eu teria que passar de ano, eu estudava.. e aprendia...
Mas tinha algo que sempre foi meu terror: Educação Física. Era nesses momentos que a bad girl que havia em mim tomava posse do meu corpo e eu corria... não para o campo... mas pra alguma sala vazia e ali ficava, escondida, com uma ou duas aliadas que também tinham horror de bola. Algumas vezes fui levada à quadra praticamente puxada pela orelha e tive que me submeter a toda aquela algazarra. E eu não jogava mal (vôlei a parte). Eu simplesmente odiava o clima competitivo que tomava conta das doces meninas da minha sala. Algumas se transformavam... Lembro da bruna, uma baixinha, delicada... que ao entrar em canpo se tornava uma megera indomável e aterrorizava as goleiras, que receberiam suas boladas infernais. Ela virava um monstro faminto! Mais de uma vez vi a Fabrizia, a goleira oficial (uma versão feminina de Arnold Schwazenegger) correr e abandonar o gol desprotegido de medo da bruninha, que não passava de um metro e meio.
Mas uma vez posta em campo e humilhada pela professora que me pegava fumando escondida na melhor das hipóteses... eu até que me virava bem. Minhas notas nos esportes ficavam entre um 5 desleixado e um 7 suado. E eu perguntava.... já que eu não era a pior jogadora da sala, porque esse meu terror de entrar em campo?
Competição. Palavra maldita que causava ansiedade e tinha o poder de separar melhores amigas. Palavra desaforada que fazia tantas doces garotinhas ridicularizarem a performance das menos habilidosas. Palavra filha da mãe que gerava desentendimentos que nasciam nas quadras, mas se estendiam para todos os cantos da sala de aula por vários anos letivos.
Mas e aí? Se te jogam no campo, você tem que jogar.
E se você tem que jogar... se não tem outro jeito mesmo... o melhor é vencer.
Eu sou a favor da exterminação total dos jogos competitivos na educação física. Mas esse é meu ponto de vista. Radical e singular, creio eu. Isso é com quem elabora os programas disciplinares. Eu posso fazer muito pouco, ou nada, a respeito.
Mas sabe... depois dos anos escolares, não há quem nos obrigue a ter esse tipo de comportamento. Vai pro campo quem quer. Quem quer faz de sua vida um eterno jogo competitivo. E que prazer tem com isso? Depois de uma vitoria vem sempre a ansiedade do próximo jogo. Guerras de verdade, nunca terminam. Um tratado de paz não é algo confiável. Uma vez começada, a guerra vira um vicio, uma banal briga de egos na qual muitos se colocam, orgulhosos.
Não há vencedores. Há quem esta por cima nesse momento, essa semana. A próxima será diferente. Um novo stress, uma nova batalha.
Essa vida de jogador não é para mim. Não é por medo. Simplesmente passar por cima de alguém, me provar a mais esperta, a mais gostosa, a mais de qualquer coisa, não me faria bem algum. Gosto do que me tornei. Gosto de ser essa pessoa que não precisa desse tipo de afirmação. E eu não sou a melhor. Tenho plena consciência disso. Mas gosto de mim, com todos os meus defeitos e limitações. Gosto DEMAIS dos meus poucos amigos verdadeiros para me aventurar numa busca desenfreada pela solidão: o fim de todo jogador da vida.
Então... é isso que eu queria dizer hoje. Se possível, não me puxem para o campo. Eu prezo demais pela harmonia de viver fora das quadras.
Beijos com muito carinho! E bola pra frente!
=)