domingo, 10 de outubro de 2010

LIKE A VIRGIN


Eu sinto em mim.. Em toda parte minha. A minha voz já se moldou pra isso... Meu corpo está pronto e pede coisas a que antes eu me negaria... Ou ao menos, aceitaria relutante... Agora eu quero. Eu peço. Eu preciso!

Acho interessante que para muitos de nós, que vivemos o SM, existam tantas fases. Há fase de se entregar cegamente. Há fase de questionar. Há fase de desejar secretamente... E há fase de realizar. Alguns medos que eu tinha estão sumindo. É bom sentir que, depois de anos provando a dor e o prazer que esse universo inusitado traz, ainda tenho pra onde olhar, ainda tenho desejos que me fazem ficar acordada um pouco mais a noite, imaginando...Tem alguma coisa em mim que inquieta como uma paixão adolescente. Por algum motivo, hoje recebi uma “ameaça” que me deixou nas nuvens. Eu estou aberta, entregue e exultante.


Quem me conhece um pouco sabe que estou no meio há mais ou menos 5 anos. Tenho experiências masoquistas até mesmo antes disso. Conheço por experiência spanking, bondage, waxing, dogplay, as liturgias goreanas, agulhas, cortes, mumificação, eletroestimulação, humilhação, bloodplay, knife play, golden shower, rape fantasy, tortura genital, asfixia erótica... Teve um momento em que eu achei que não havia mais novidade. A ausência de novidade, pra mim, não é algo muito fácil de aceitar. Então eu vivi um tempo um pouco anestesiada. Eu não sei se essa fase foi algo meu, ou se mais pessoas que vivem o BDSM há muito tempo passaram pelo mesmo. A dor passou a ter menos efeito em mim... eu agüentava muito e ia muito longe, e sempre era bom, mas eu sentia que algo havia mudado.


Me fechei. Eu participei de plays com a mente longe... Eu estive em lugares pela metade.


Então o tempo agiu em mim... Eu perdi um bom tanto da minha resistência. Para uma masoquista, acreditem, isso é uma pequena tragédia. Porque vc continua desejando a dor, apesar de não estar mais tão apto a recebe-la. Lembro de uma sessão na qual meu Dono apenas pingou algumas gotas de cera em minhas costas. Eu senti a dor como nunca havia sentido antes, mesmo quando ele derramava muita cera em mim. Imaginei que a vela estivesse muito perto do meu corpo... Abri os olhos. Eu estava deitada no chão. Ele estava em pé e segurava a vela, do alto. Eu quis chorar. Como eu podia estar sentindo tanta dor?


É que eu mudei tanto, que é como se eu tivesse renascido. E foi então que eu vi a grande vantagem nisso tudo. EU VOLTEI A VIVER CADA CENA COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ. Eu voltei a sentir adrenalina correndo no meu corpo. E todas as práticas que eu já conhecia, viraram um novo e estimulante desafio. Será um mecanismo de defesa do meu próprio corpo pra que eu possa viver novamente aquela fase deliciosa das descobertas? Eu não sei... O fato é que logo mais, Dono vai fazer uma coisa comigo. Uma coisa que ele já fez há algum tempo e que hj ele disse que vai fazer outra vez. E eu estou com medo. Eu estou com um medo absolutamente delicioso!!!

=)

5 comentários:

{ÍsisdoEgito}JZ - Tua, somente tua disse...

Nossa vivência faz com que mudemos a nós mesmos....

Sção fases pelas quais temos que passar para aprendermos mais e valorizarmos mais o que temos e nos oferecem...

Vira e mexe, entro numas fases que a principio, parecem esquisitas e sem nexo, mais vejo mais tarde, que era preciso. E so tenho 3 anos e meio dentro do BDSM. Sei que ainda virão muitas fases, algumas se repetirão, mais fazer o que?
É defesa? É algo natural?
Não saberemos responder, até porque, há coisas que sempre ficarão sem respostas. E que bom que fiquem sem respostas, rs.

Cuide-se e que teu medo te leve longeee......

Beijos carinhosos,

ÍsisdoJun

tavi disse...

{ÍsisdoEgito}JZ,

Confesso que publiquei esse post com certa insegurança pois não sabia se alguem poderia compreende-lo. Muito bom ler seu comentário e sentir que mais pessoas tem sentimentos parecidos. Beijos!!!

¥ nyssa ¥...ÅS disse...

Tavi,

É mesmo perturbador quando percebemos que evoluir não é apenas ir adiante, ou mais.
Eu já cheguei a duvidar da minha vocação bottom tantas vezes, seja para submissão, masoquismo, ou para aquela zona em que são uma dialética.
Eu tenho um palpite que essas "crises" tem a ver com a feminilidade, no que ela tem de irrepresentável, de infinita, de não-toda.
Foi um alívio saber que alguém como vc tb passa por coisas parecidas com as minhas...rs
Valeu :)
beijos

tavi de ÁSGARÐ disse...

nyssa AS

Faço minhas as tuas palavras: "Foi um alívio saber que alguém como vc tb passa por coisas parecidas com as minhas"

=)

beijos femininos!

sub_ ísis disse...

olá!
Não conhecia teu espaço, mas gostei muito do que li qd puderes de uma chegada no meu.
Sim somos como a lua cheia de fazes.

beijos iluminados

sub_ísis

tavi