quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

SETE- Parte 3 - Tony


Usar a coleira do Senhor Ventríloquo foi uma experiência desgastante pra mim. Depois de me usar pelo tempo que quis, ele me mandou pra casa e me instruiu para que esperasse ele entrar em contato. No dia seguinte, as nove da manha ele já havia me enviado um e-mail com algumas tarefas a serem realizadas. Tive que escrever pra ele, logo no primeiro dia, cinco relatórios. Cada um cobria uma área de minha vida. Ele também me enviou perguntas um tanto embaraçosas de responder. Pra ele, tudo importava. Desde o meu nível de instrução até uma descrição detalhada das peças de roupa que eu usava com mais frequência.
Nos três dias que se seguiram, por volta das 5 da tarde, eu recebia a mesma mensagem no meu celular. “Agora! V.”, dizia o texto curto e direto. Lembro-me que enquanto dirigia para o galpão, mais de uma vez precisei encostar o carro por alguns minutos, para me acalmar.
O Senhor Ventríloquo me explicou que agora eu não mais teria acesso ao galpão pela casa de JOSHUA. Além dela, no grande terreno sob o qual a masmorra se escondia, havia seis outras pequenas casas brancas, posicionadas na forma de um círculo. Eram sete locais de descanso e com um pouco mais de conforto e privacidade, para os sete membros da confraria. No centro do terreno, cercado pelas sete casas brancas, havia um extenso gramado, e em seu núcleo, um espaço cimentado e muito agradável, lembrando uma pequena clareira. A casa do Senhor Ventríloquo ficava à esquerda da casa de Joshua. A da direita pertencia ao Tony, que era o único dos sete que de fato ali residia. Ele passava mais tempo entre a masmorra e a guarita colada ao portão principal, mas não abria mão de ter um local só seu também, como qualquer outro integrante dos Sete.
Em cada uma das casas, uma escada levava a um túnel de acesso ao hall principal do galpão. Eu tinha recebido ordens para assim que minha entrada no terreno fosse permitida, dirigir-me à porta da casa do Senhor Ventríloquo e aguardar que ele a abrisse. Era o Tony quem abria o portão principal. A Rotina era irritante. Eu entrava, caminhava até a casa de número 3, e passava no mínimo vinte minutos aguardando que meu Dono viesse me receber.
Depois, ele mandava que eu me despisse e colocava a coleira em meu pescoço. Pela guia eu era conduzida até uma das salas da masmorra. O que se passava ali eram repetições do nosso primeiro e conturbado encontro, com pequenas variações. Era sempre doloroso e humilhante pra mim. Ele sempre me causava algum tipo de desconforto. Eu conheci a dor de ter clamps apertados em meus mamilos; de ter cera quente derramada pelo meu corpo... Isso não era o mais difícil. Eu tinha uma maneira muito particular de lidar com a dor. Aprendi que a dor tem um efeito estranho em mim. Mesmo odiando as mãos da qual ela vinha, eu conseguia encontrar certo conforto. Às vezes a dor corria no meu corpo como se me acariciasse. Havia um prazer inusitado. Eu já esperava por isso. Lembro de já ter me provocado dor em momentos difíceis. Ela sempre foi parte de mim. E muito mais uma aliada do que uma inimiga. Restava quase nenhuma dúvida em mim de que eu era uma masoquista. Mas eu nunca antes tinha tido a experiência que me garantisse que a dor poderia me dar prazer, mesmo que provocada por outra pessoa, que não eu mesma.
O pior de tudo era o que ele fazia com minha mente. Ele sempre dizia exatamente as coisas certas pra me fazer chorar. E ele adorava o meu choro. Minhas lágrimas o excitavam quase que instantaneamente. E ele sempre terminava seu pequeno show com o mesmo número, no qual eu não passava de uma escrava sexual sendo usada com sadismo. Por várias vezes cheguei a me perguntar se fazia algum sentido submeter-me a tamanha degradação em nome de um sentimento estranho por alguém que nem mesmo me queria. Mas a imagem do JOSHUA ainda reinava soberana no meu pensamento.
Meu Dono me mandava pra casa por volta das dez horas. Eu chegava, tomava um banho, e tentava inutilmente descansar. O sono não vinha fácil. O Choro sim. E quando eu finalmente conseguia dormir, eu acordava mil vezes no meio da noite, sobressaltada. No dia seguinte, eu levantava cedo, comia pouco e ligava o computador à espera de algum sinal do JOSHUA. Mas desde que fui entregue por ele a outro homem, ele não havia me procurado uma vez, sequer. Já o Senhor Ventríloquo nunca falhava em ordenar por e-mail que eu trabalhasse em algum relatório de sessão, ou respondesse suas perguntas invasivas.
Eu estava absolutamente exausta e foi por isso que no quarto dia eu me deitei um pouco, à tarde e adormeci. Quando acordei, meu coração batia acelerado. Já estava escuro. Passava das 20 horas. Joguei o cobertor pra longe e peguei meu celular no criado mudo. A mensagem estava lá. “Agora. V.”. E ela havia chegado novamente às 17 horas.
Me troquei o mais rápido que pude, entrei no carro e apressadamente me dirigi ao terreno. O Portão principal estava trancado, e o local, silencioso. Eu toquei a campainha diversas vezes até ouvir finalmente os passos pesados de Tony. Ele riu e falou comigo através do portão:
-Então a princesa resolveu aparecer? Tarde demais. É melhor você voltar pra casa.
-Não! Tony... Tony, por favor, me deixa entrar. Aconteceu uma coisa, eu não pude chegar antes.
-Eu fui informado de que poderia te deixar entrar às 17:30. Não às 21 horas.
-Eu sei... Eu não consegui. O Senhor Ventríloquo ainda está aí? Me deixa falar com ele. Eu preciso explicar.
Tony parou uns instantes, pensativo. Olhou pra mim como se olha para uma criança que acaba de fazer arte.
- Ok, a princesinha tem sorte. Seu Dono ainda está aqui. Mas ele está na masmorra. Eu te levo até lá. Siga-me.
Tony andava rápido. Eu, com meus saltos e meus passos pequenos, quase precisava correr pra alcança-lo.
Ele abriu a porta da casa branca de número dois. Era um cenário interessante. Móveis vitorianos com detalhes em madeira escura e esculpidos com belíssimas formas pareciam brigar com cadeiras em ferro, estilo “art nouveau “ provocando uma falsa sensação de caos divinamente projetada. O bom gosto de Tony podia ser controverso, mas era certamente corajoso e genial.
Chegando ao galpão, pude ver o paletó claro do Senhor Ventríloquo pendurado em um cavalete. Eu e Tony ouvimos o gemido de uma garota.
- É melhor você aguardar. Vem. Vou te deixar em uma das celas.
- O que? – eu disse, sem tentar esconder meu descontentamento.
-Não seja boba. Eu não vou ficar aqui o tempo todo cuidando de você. Alias, nem aqui fico. Não tem nada de interessante pra ver. Teu Dono anda precisando variar o roteiro – ele respondeu, já abrindo uma das grades de uma cela no hall principal e apontando para que eu entrasse.
- E você fala assim de todos os seus confrades? Com esse desdém todo? – provoquei, enquanto me ajoelhava para entrar na cela.
- Somos todos Sádicos, Dominadores, e alguns de nós são Dominadores e Sádicos ao mesmo tempo. Você esperava o que? Que eu elogiasse aquele terninho ridículo dele?
Eu estava surpresa. Ele continuou:
- Não se assuste. Um pouco de competitividade é estimulante no universo masculino. Isso não quer dizer que eu o odeie. Eu respeito muito o Senhor Ventríloquo. Respeito muito qualquer TOP daqui. E você devia me entender. O universo feminino só parece mais sutil. Mas a competitividade é ainda maior. Você mesma mal chegou e já tem um desafeto.
- Desafeto? Como assim, Tony?
- Ah, você não sabe ainda – ele riu - Isso vai ser divertido.
Tony trancou a grade da pequena cela em que eu estava e saiu do hall. Trocou algumas palavras com o Senhor Ventríloquo e voltou pelo corredor que levava até sua residência.
Não demorou até que meu Dono viesse falar comigo.
- Scarlet. Eu serei breve e direto com você. Alguém morreu? Você teve que socorrer alguém?
- Não, Senhor – respondi.
- Qual foi o motivo então, do atraso?
- Eu... Eu dormi, Senhor, e perdi a hora.
- Veja... Sendo assim eu não posso deixa-la sem uma punição.
Notei um breve sorriso em seus lábios.
- Sim, Senhor. Eu entendo.
Ele andou uns instantes pela sala. Eu, ainda dentro da cela, de joelhos, na meia luz da masmorra, via apenas metade de seu corpo, enquanto ele caminhava de um lado a outro, e continuava me informando de suas decisões.
- Eu li em um de seus relatórios que seus pais não moram no Brasil. É verdade?
- Sim, Senhor. Eles voltaram para a Irlanda no ano passado.
- Certo. E li também que você está de férias da faculdade.
-Sim, Senhor. É verdade.
- Pois bem. Como punição, você vai passar suas férias aqui. Assim além de puni-la, não corro mais o risco de ter que esperar por você.
Eu senti como se o ar me faltasse.
- Senhor. Mas eu não posso. Meus pais vão ligar em casa. Vão querer saber o que aconteceu comigo.
- Você liga pra eles e diz qualquer coisa.
- Mas eu não tenho roupas. Não trouxe nada comigo. Nem produtos de higiene. Eu quase não tenho nada na bolsa... E nem no carro.
- Não se preocupe. Posso providenciar tudo isso pra vc.
- Sim, Senhor – eu disse, assustada, mas sem argumentos para mais contestações.
- Você irá dormir na casa três. Sem correntes ou algemas. E ficará com um jogo de chaves em seu poder. Mas assim que você ouvir o despertador, descerá para a masmorra e entrará nesta mesma cela em que está agora. Sempre que o Tony puder estar no galpão ele irá trancá-la e você ficará presa em sua cela. Caso seja necessário que você ajude em alguma coisa no terreno ou na masmorra, o Tony te avisará.
Olhei a minha volta. A cela mais parecia uma jaula. E eu, um animal, acuado e confuso, cada vez mais distante da imagem que eu tinha de mim mesma.
Passei a noite sozinha na cama quente e confortável do Senhor Ventríloquo. Tomei um banho demorado em seu chuveiro. Sequei-me com suas toalhas macias. Comi algo de seu frigobar e assisti a um filme de sua coleção. Ele me deixou completamente à vontade ali. E disse que em sua ausência, eu seria responsável pela casa. Brinquei dizendo que eu podia fazer uma bagunça ali. Ele respondeu que eu podia fazer o que quisesse, mas se algo o incomodasse, ele saberia exatamente como me punir. A casa estava segura comigo.
Dormi bem. Descansei tudo o que precisava. O despertador tocou às 8 da manhã. Imediatamente, desci as escadas e caminhei pelo corredor até chegar à masmorra, e entrei em minha jaula escura, fria e apertada. O contraste entre a noite e o dia era uma tortura maior do que passar o tempo todo ali.
Tony não demorou pra descer.
- Bom dia, princesinha. – ele disse, enquanto trancava a porta de minha jaula.
Não respondi. Tony permaneceu no hall, fazendo alguma coisa em seu notebook e fumando compulsivamente.
Eu, quieta e encolhida, esperava o tempo passar e lembrava-me do JOSHUA. Não o JOSHUA frio e distante que havia me rejeitado, mas o homem brilhante, o guia, o mentor que eu havia tido, por tanto tempo, me explicando e me conduzindo pacientemente em um mundo desconhecido e encantador.
Percebi que alguém entrava no galpão. Ouvi seus saltos batendo e as vezes até mesmo raspando no solo. Tony a cumprimentou.
- Bom dia, angel. Que você veio fazer aqui?
-Vim ver a garota. Onde ela está?
Tony apontou para a minha cela.
Angel curvou-se pra falar o que queria, olhando nos meus olhos.
- Eu não disse pra você entender que você não pertencia ao JOSHUA? O que eu digo pra você, pelo jeito, não faz a mínima diferença, não é?
Eu não sabia o que dizer. E havia aprendido com meu pai que quando a gente não sabe o que dizer, é melhor não dizer nada. Mas aparentemente a minha mudez a enfureceu ainda mais. Ela parecia estar a ponto de arrancar os próprios cabelos.
- Escuta, garotinha mimada, você pensa que vai ter tudo o que quer. Mas não vai. Não se eu puder impedir. As coisas por aqui não funcionam assim.
Tony a interrompeu
- Angel, o JOSHUA sabe que você está aqui?
- Isso é entre eu ele – ela respondeu
- Eu acho melhor você voltar pra cima.
- Tony! Isso não é justo - ela esbravejou. - Você sabe que eu faço tudo pelo JOSHUA. E agora ele fica todo encantado porque chega uma garota do nada e aceita servir ao Senhor Ventríloquo! Eu tinha que dizer pra ela que se ela pensa que vai jogar com ele, é melhor ela abrir os olhos. É bem melhor ela se por em seu lugar. Ou vai ter uma grande inimiga.
- O JOSHUA está encantado comigo? – eu perguntei, sem conseguir esconder o sorriso.
Os dois me olharam.
- Hey, scarlet, você não está ajudando – disse o Tony, e olhou para a angel – E você, suba agora mesmo!
- Ah, você agora dá ordens pra escrava do JOSHUA? – ela disse, com arrogância.
- Pois bem, se quer ficar, fique. Vai ser um prazer contar pra ele que você esteve aqui sem autorização.
Ela estalava os dedos, irritada e tensa. Permaneceu ali por mais alguns segundos, em duvida. Finalmente decidiu subir. E deixou-nos novamente a sós.
Tony ficou em pé, com ar de riso, aguardando que ela se retirasse. Cruzou os braços demonstrando clara indignação pela atitude de angel. E só relaxou quando o irritante barulho dos saltos sessou completamente.
- Ah, as loiras! Princesinha, o que você faz quando uma loira te joga uma granada?
- O que?
- Puxa o pino, e joga de volta pra ela!
Nós dois rimos. Eu, de dentro da cela. Ele, voltando a digitar no computador.
Por uma meia hora, permanecemos ali. Sentia-me profundamente entediada e desconfortável. O silencio me fazia mal. Eu questionava minhas decisões. Eu questionava as atitudes daquele a quem eu de fato pertencia. Mas então me lembrava das palavras da angel. Eu o tinha agradado. JOSHUA estava positivamente surpreso por eu estar ali. E isso tornava tudo mais fácil de suportar. Mesmo assim, eu estava inquieta.
- Tony, não tem nada que eu possa fazer? Você deve estar com fome. Tem algum lugar onde eu possa ir comprar algo?
- Não. Não há necessidade. E tem local, aqui em baixo, pra preparar as refeições. E depois, a naya está aqui essa semana pra cuidar disso.
-Quem é a naya?
- Escrava de um dos Sete. É bom você se acostumar com o ambiente. Não vai ter muita chance de sair daqui tão cedo...
Eu passava as mãos pelos cabelos, ansiosa.
- Eu sei. Eu sei, Tony. É só que é tão quieto por aqui.
- Nisso eu posso ajudar – ele disse – gosta de música?
- Quem não gosta? –eu respondi – Quer dizer, depende do tipo de musica...
Ele pôs um barulho qualquer pra tocar. Eu ri do seu gosto musical. Ele pareceu ofendido. E falou uns quinze minutos sobre tudo que gostava de ouvir. Em geral, gostávamos das mesmas coisas, exceto pelo fato de ele se prender um tanto em bandas de rock experimental falidas. Ouvimos vários clássicos. Cantamos alguns deles juntos. Até discutimos algumas letras. E assim fomos, manha adentro, do metal ao alternativo, do punk ao pop rock, e ele continuava, revelando um ser surpreendentemente sensível que morava escondido atrás de suas rudes feições. Por algum tempo, eu esqueci que era uma escrava jogada em uma jaula qualquer. Eu estava realmente me divertindo. E eu sentia como se tudo isso criasse um laço de amizade entre nós. Ele se dava a conhecer. As pessoas expõem muito do que são quando falam daquilo que admiram. E eu também permitia que ele me entendesse um pouco mais.
- Ouve essa – ele disse – é sobre BDSM.
Eu ri.
- Não. Não é. Isso é “bad”, do U2. É sobre cocaína.
- Pra mim, é sobre o que eu quiser. E eu quero que seja sobre BDSM.
Sorri. Isso refletia muito de seu jeito alitúrgico e independente de pensar. Eu senti que eu e ele poderíamos nos tornar grandes amigos algum dia. Mas então ele mexeu novamente no computador e disse:
- As arrecadações não andam bem...
E abriu a porta da jaula. E me puxou pra fora dela.
- Deixa eu olhar você... Você devia ter descido nua, você sabe, não é?
- Tony? O que você está fazendo?
Ele tocou a minha coxa. E foi tirando minha roupa, como se eu fosse um boneco qualquer.
- Tony. Pára. Por que está fazendo isso?
- O Ventríloquo disse que se eu precisasse eu poderia. A arrecadação está baixa... Eu acho que tenho um trabalhinho pra você.
Tony colocou sua máscara e me levou para uma sala da masmorra. Ali, além de uma cama relativamente grade, suspensa por correntes, havia alguns computadores e um equipamento de filmagem. Ele os ligou, um a um. Uma luz forte foi virada em minha direção. Cobri os olhos com as mãos. Ele então ligou a câmera, conectada a um dos computadores.
- Não se preocupe. Não vou filmar seu rosto.
Então percebi do que aquilo tudo se tratava.
- Não. Tony, eu não quero. – eu disse, firmemente - O JOSHUA me disse que não seria feito nada que não fosse consensual. Eu não quero ser filmada. Eu não quero minha imagem na rede. Isso eu não aceito.
- Tudo bem – ele disse- Mas você entende que eu terei que te levar pra fora do terreno, e não de volta a sua cela, certo?
- Como assim? Eu não quero ir embora. Eu só não quero ser usada pra isso.
- Mais alguma exigência, princesa? Entenda, aqui você não faz as regras. Aqui você é escrava. Você tem sim, o direito de entregar sua coleira a hora que quiser. Mas se ficar, você faz o que for determinado. Não fosse assim, qual seria a diferença entre uma escrava e uma namoradinha baunilha? Você aqui não é namorada de ninguém. Então decida. Fica e se submete. Ou exerce seu direito de não ser mais escrava, e vai embora.
Fiquei muda alguns instantes. Tony pegou uma máscara da prateleira e jogou pra mim.
- Coloca isso. Vou checar o que eles querem ver hoje.
Eu pus a máscara negra no meu rosto. Era inútil mentir pra mim mesma. Eu não ia sair dali. Ia ficar enquanto o JOSHUA quisesse que eu ficasse.
Enquanto digitava, Tony me explicou que não era qualquer pessoa que tinha acesso ao site que ele dirigia. Apenas conhecidos do JOSHUA. Fetichistas em geral, pessoas que apesar de não terem sido escolhidas como membros do seleto grupo dos Sete, tinham um perfil aprovado para assistirem algumas das práticas. Todos eles contribuíam para que os vídeos continuassem sendo gravados. Eram, em sua maioria, empresários, administradores ou ainda profissionais liberais bem sucedidos o suficiente para deixar, todo mês, significativa contribuição. Eles não sabiam do grupo e nem de suas regras, mas conheciam o fato de que existia um local que reunia todos os recursos para que eles pudessem ter contato visual com suas fantasias. Muitos dos que assistiam aos vídeos, não teriam a coragem suficiente para assumir e vivenciar seus maiores desejos. Assistir aos vídeos era o mais perto que eles chegariam de sua satisfação.
Havia 15 pessoas online. Na tela, Tony pôs o meu nome e fez aparecer vários nomes de práticas. Os users começaram a votação. Em poucos minutos, o aplicativo mostrava o resultado.
- Asfixia erótica... interessante... faz tempo que não pedem por isso.
Tony não falou muito. Estávamos os dois mascarados, mas eu notei a transformação no seu olhar enquanto ele colocava com rapidez e precisão, clamps apertados nos meus mamilos. Não era a primeira vez que isso era feito em mim, mas o Senhor Ventríloquo costumava se satisfazer em apenas coloca-los. Tony os puxava pela corrente que os unia. A dor era intensa e indescritível. E ele não parava até que eu tivesse a sensação de que minha pele iria se romper de tanto que ele a esticava. Ele me empurrou para a cama e mandou que eu deixasse as pernas abertas. Meus tornozelos foram amarrados. As cordas foram presas em ganchos nas paredes da sala, de forma que era impossível que eu reaproximasse meus tornozelos. Também meus punhos foram envoltos por cordas, e presos da mesma forma. Meu corpo formava um X e eu estava tão vulnerável quanto era possível alguém estar. Tony tomou a câmera em mãos e filmou meu corpo, totalmente exposto. A sensação de estar imobilizada e indefesa fez meu coração disparar. Eu senti que o pânico tomava conta de mim. Eu tentava inutilmente me soltar. Eu não pensava mais. Eu reagia, como reage um animal na iminência do ataque. Ví que Tony sorria satisfeito enquanto filmava meu desespero. Após alguns minutos, ele saiu do meu campo de visão, fazendo crescer meu medo. Eu gritava por ele. Eu pedia pra ele voltar. Pra não me deixar sozinha ali. Eu chorava e implorava por ele. Pior do que estar presa, era o medo de ser deixada alí, sem ter alguém pra me defender dos inúmeros riscos e perigos irreais que atormentavam minha mente.
Ele então voltou, já sem suas roupas e soltou as cordas que prendiam minhas pernas. Eu com elas, o puxei pra mim e cruzei os tornozelos em suas costas.
-Solta minhas mãos... por favor, Tony. Por favor...
- Não. Gosto delas assim.
-Então fica... fica comigo... não sai daqui... não me deixa...
Eu o apertava entre minhas pernas, como se quisesse seduzi-lo. Meu corpo, quase inconscientemente se movia contra o dele. Eu queria senti-lo perto, muito perto. Eu queria sentir qualquer coisa que tirasse a minha mente do fato que eu estava presa àquela cama e que ele podia, a qualquer momento, deixar de ser minha única proteção. Eu precisava ser desejada. Eu precisava que ele desejasse muito estar ali. Eu apertava meu sexo contra o dele como quem implora. E o olhava com desejo. Eu não fingia. Apenas me perdia entre o que era pânico e o que era vontade. Tudo se fundia.
- Eu te quero! – eu disse - Eu quero te sentir em mim.
Ele atendeu meu pedido. E eu senti um súbito prazer. Um prazer estranho e obscuro. Eu era uma escrava. Se eu tivesse implorado para ele se afastar, ele provavelmente não teria me dado ouvidos. Mas seja ou não por uma defesa minha, eu me entreguei ao instinto. A volúpia podia ser minha única opção. Mas foi isso que senti enquanto ele se divertia no meu corpo. E quando ele pôs sua mão pesada no meu pescoço, me sufocando, pouco a pouco, o prazer apenas aumentou. Eu tentava inutilmente puxar o ar, que não mais vinha. Ele apertava meu pescoço com firmeza. Eu estava quase em transe. E o gozo que eu senti, era do tipo que começa na mente, se espalha pelo sexo e pelo corpo todo, devagar, até que enfim explode, causando espasmos e longas contrações involuntárias... Meu rosto estava quente e provavelmente corado. Eu estava atordoada. Algumas lágrimas escorreram molhando minha máscara. Ele gozou junto comigo. Olhando nos meus olhos, absolutamente embriagado pelo estado em que ele havia me deixado.
Depois ele desligou a câmera. Olhou para a tela e sorriu.
- Acho que depois disso não teremos muito problema com as arrecadações desse mês.
Eu sorri também.
Ele se aproximou e tirou nossas máscaras. Deitou-se do meu lado e me abraçou. Eu encostei meus lábios nos dele. Ele então me beijou longamente.
- Tony... posso te pedir uma coisa?
- Peça!
- Desamarra meus pulsos...
Ele riu. E me libertou. Eu sentei na cama.
- Fica comigo aqui um tempo – ele disse.
- Não – respondi friamente – Já fiz o que eu tinha que fazer. Agora me leva pra cela. E me tranca.
- Pensei que você tivesse gostado...
- Eu gostei. E agora acabou. Eu também pensei que você tivesse gostado de nossas conversas.
- Eu gostei – ele disse.
- E quando elas acabaram, você me trouxe pra cá e me amarrou.
- Eu fiz o que eu tinha que fazer.
- Ótimo! Agora faça outra vez o que você tem que fazer. Me leva pra cela como o bom e obediente servo que você é. Ou eu vou adorar contar pro Senhor Ventríloquo que você me manteve na cama mais do que era necessário.
Tony me olhou perplexo, quase machucado, por alguns instantes. Depois sorriu e eu vi uma certa admiração em seu olhar.
Enquanto ele trancava a cela, o interfone tocou.
- Fala, Ventríloquo! Sim... Sim, tudo certo por aqui. Mas devo dizer que ela tem uma personalidade igual à dele. Talvez até melhor. Foi uma escolha incrível. Ok... Pode deixar.
Quando Tony desligou, eu precisei perguntar.
- Eu sou igual a quem? Ao JOSHUA, não é?
Tony riu.
- Talvez. Mas quer saber, princesinha. Isso é péssimo pra você. Isso quer dizer que você nunca será dele.
(continua...)
 
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4 comentários:

luna disse...

Estou amando!!!!!!!!! Demora muito pra sair a parte 4? Extasiada aqui!!!! rs

([{mila}])MAGNO disse...

AI AI AI Tavi, tá me deixando tão curiosa e doida p saber o fim rsrs

beijos

tavi de ÁSGARÐ disse...

luna,

Vou postar a parte 4 antes do Natal...
=)

Que bom te ver por aqui!

tavi de ÁSGARÐ disse...

mila,

Espero que a continuação agrade..rs
Beijos mil!

tavi