segunda-feira, 21 de novembro de 2011

SETE - Parte 2 - JOSHUA



Os dias até a data do encontro marcado demoraram a passar. Era julho. Eu estava de férias da faculdade e não tinha muita coisa pra fazer. Eu não trabalhava. Apesar de morar sozinha, meus pais me enviavam dinheiro suficiente para que eu não tivesse nenhuma preocupação além dos meus estudos.

A maior parte dos meus familiares são Irlandeses. Eu nasci no Brasil mas sempre me senti como uma estrangeira. Eu não me lembro honestamente de ter me sentido parte de nada nem na infância, nem na adolescência. Meu nome incomum e minha aparência celta também não eram de grande ajuda. Eu sempre era chamada de branquela, ou de foguinho, por conta de ter herdado os cabelos ruivos do meu pai. Depois de um tempo, o que era defeito passou a ser visto como qualidade. Os garotos da faculdade eram bem mais gentis comigo do que as crianças do colégio. Mas por algum motivo, eles não me interessavam. Meus namorados eram sempre homens mais velhos, e com muito mais experiência.

Quando eu conheci o JOSHUA, eu tinha acabado de terminar um caso de sete meses com meu professor de Ética na faculdade. O JOSHUA achava aquilo fascinante. Ele vivia dizendo que o único motivo de eu ter me envolvido com esse professor havia sido a ironia de se ter um caso com alguém que defende justamente a ética. Ele me via como uma contestadora natural, e dizia que devia ser o sangue Irlandes. O JOSHUA acreditava muito nos símbolos, nas ironias, nos sonhos reveladores, nos atos falhos como prova dos nossos desejos mais reais. Por duas vezes, no telefone, eu sem querer chamei o JOSHUA de pai. Eu explicava que tinha sido por que eu andava com saudade do meu pai, ou porque tinha acabado de falar com ele. Ele dizia que eu tinha feito isso porque na verdade era assim que eu o via. Eu ria. Mas ele levava isso muito a sério.

Eu me deixei envolver pelo JOSHUA. Ele me lia de uma forma tão incrível. E completava minhas frases com uma facilidade irreal. Aos poucos, ele foi me revelando o seu mundo. E me ensinou muito sobre BDSM. Eu disse a ele que sempre tive desejos estranhos, mas que ele tinha sido a única pessoa com quem eu conseguia me abrir completamente. Provavelmente ele seria o único homem que eu respeitaria tanto a ponto de achar digno da minha submissão.

Quando faltavam apenas duas horas para o encontro, tomei meu banho e me arrumei. E foi pra ele que eu me vesti. Eu pertencia a ele, independente das bobagens que a angel havia dito. O Joshua tinha 47 anos. Eu podia não ser exemplo de beleza, mas eu sabia me fazer bela. Eu tinha certeza que quando eu chegasse, com meu vestido preto, meus cabelos soltos, perfumada e me ajoelhasse diante dele, ele me aceitaria. E nos meus sonhos, eu voltaria pra casa com um grande sorriso de satisfação e portando uma coleira com o nome dele.

Mas não foi tão simples assim. O bilhete dizia para eu estar às 20 horas, e às 20 horas eu estava, no local combinado. Não posso descrever aqui nenhum detalhe do percurso que fiz para chegar, mas tenho autorização pra dizer que não levei mais de meia hora para estar na porta, como combinado.

E foi ele quem gentilmente abriu a porta do meu carro.

O JOSHUA é um homem encantador. Fisicamente, tem aspecto comum. De estatura mediana, cabelos escuros, olhos castanhos... Nada que pudesse chamar muito a atenção em um primeiro olhar desatento. Mas quem o observa por um pouco mais de tempo, logo percebe nele uma postura perfeita, um estilo quase clássico, um jeito sereno e confiante de executar cada movimento com fascinante precisão. Sua forma de se vestir não era em nada pretenciosa, mas em cada detalhe, da camisa cinza de tecido grosso até o brilho dos sapatos, notava-se a qualidade e o bom gosto.

- As chaves, por favor. – foi a primeira coisa que ele me disse, pessoalmente.

A segunda foi o meu nome. Ele tocou meus cabelos. Correu os dedos neles. E disse:

- Scarlet. Vou te chamar assim, tá bom? Scarlet. Eu não tenho certeza se vai ser sempre assim. Mas por enquanto, será.

Entreguei as chaves a ele, sem qualquer hesitação. E sorri, timidamente.

Ele sorriu também. E enquanto me conduzia pela porta, jogou-as pro Tony, que passava por ali.

- Traz o carro pra dentro. Não quero problemas.

E andamos mais um tempo pelo extenso terreno até chegarmos a uma pequena casa branca, de alvenaria, ainda mal acabada, mas muito bem decorada. Os móveis eram poucos, mas de notável qualidade. A sala era de bom tamanho. No chão, alguns belos tapetes davam um ar confortável. Dali, se abriam duas portas. Com o tempo, descobri que uma delas dava entrada para o escritório de JOSHUA, e a outra para a suite que ele mantinha ali.

Sentamos no sofá. Bebemos um suco de frutas que ele insistiu em me servir. E conversamos, por horas, sobre a vida, sobre acaso e destino, sobre nosso passado e nossas origens, sobre desejos e sobre o nosso encontro. Às vezes ele parava de falar e tocava meu rosto. Eu baixava o olhar. E então ele continuava, como se nada tivesse feito.

- Sabe, eu quis que você viesse porque gosto de você. Sinto que eu posso confiar... E pode ser que você seja exatamente o que eu preciso. Eu vou conversar sobre isso com vc. Vou te explicar tudo que você precisa saber. E você sempre vai ter a minha orientação. Scarlet, esse local, não é só um terreno. Essa é a realização de um sonho. Um sonho que não é só meu, e que eu jamais poderia ter realizado sozinho. Tem pessoas de minha extrema confiança que são peças chave pra tudo isso.

- Os Sete! – eu disse, quase sem notar.

Ele riu.

-Sim. Os Sete. Vejo que você e a angel conversaram um pouco mais do que deveriam.

-Não, ela não disse nada, Senhor. Ela disse que não cabia a ela me contar. Bem, mas os Sete são o Senhor, a angel, o Tony, e quem mais?

- Angel? A angel é minha escrava. Nenhuma escrava poderia ser parte dos Sete. Ela não é TOP. Não é dominante. Isso não seria admitido aqui. Mas você acertou quanto ao Tony. Ele é uma peça chave nisso tudo. O Tony é um velho amigo meu. Uma pessoa fantástica... E ele já foi um empresário muito bem sucedido, Scarlet.

Eu ri. Foi incontrolável. Era difícil imaginar o Tony como algo mais do que o manobrista do JOSHUA.

- Scarlet, a vida é cheia de surpresas. O Tony perdeu muito dinheiro após aceitar entrar em uma sociedade com pessoas mal intencionadas. Construiu um império por mérito, e o perdeu por confiar nas pessoas erradas. E isso é algo a se temer, não acha? Confiar, contar com outra pessoa parece ser sempre o que nos levanta, e o que nos derruba, não acha?

Eu tive medo de ter visto um brilho estranho em seu olhar. Mas JOSHUA continuou e eu logo esqueci essa sensação.

- Depois do fracasso dele no mundo dos negócios, eu o apresentei a outro mundo, no qual ele foi muito melhor sucedido. Ele fechou sua companhia e veio trabalhar pra mim. Ele projetou o galpão e todos os seus equipamentos. Foi uma parceria quase perfeita. Eu tinha o dinheiro e a idéia. Ele tinha o tempo, e o conhecimento necessário. Antes de qualquer coisa, ele é um engenheiro espetacular.

- Ele é também seu escravo?

- O Tony? Não! – Ele riu – Veja, Scarlet, quando a gente conhece o BDSM, temos a impressão de que todo Sádico é naturalmente um Dominador. Ocorre que o Tony é o filho da mãe mais Sádico que eu já conheci na vida. Mas ele não é Dominador. Não é esse o fetiche dele. Ele acha essa coisa de Dominar uma grande perda de tempo. Se eu desse duas mulheres nas mãos dele, e dissesse que ele seria responsável por ensina-las qualquer coisa que fosse, ele me chamaria de maluco. O Tony quer estar no plano físico. E isto apenas basta. O prazer dele é causar dor. Pouco importa se a mulher em questão o chama de Senhor ou de palhaço, desde que ele possa, fisicamente, subjuga-la.

-Ele é mais Sádico que o Senhor?

- Muito mais. Eu nem sou tecnicamente um Sádico. Eu apenas uso a dor como elemento de controle. A dor pra mim é só um meio, não um fim, entende? Eu gosto do efeito que ela tem em pessoas como você...

-Sim, Senhor. Entendo.

- Resumindo bem, assim como o Tony, outras pessoas de nossa confiança foram chamadas. Não bastava ser amigo e TOP. Era importante que cada TOP tivesse algo que nos fizesse melhores. Não importava o que fosse. Uma qualidade, um saber, uma profissão... Todos precisavam ser necessários. Todo precisavam dedicar algo ao bem comum. A masmorra levou um ano para ser construída e completamente equipada e decorada. Durante esse ano, Tony e eu escolhemos e investigamos os candidatos. Com o tempo, recebemos novos membros. Pessoas que você terá a chance de conhecer, se tudo sair como eu imagino. Também era necessário que os TOPs escolhidos compartilhassem do sonho de se ter um local para a vivencia de nossos fetiches e desejos. E que também desejassem essa confraria. Por ultimo, importava que aceitassem a minha liderança.

- É uma história muito interessante, Senhor. Mas normalmente quem quer confraria não quer liderança. – interrompi.

-Sim. É verdade, Scarlet. Mas também é verdade que a única liderança real não é imposta, mas a que ocorre naturalmente. Líder não é quem se proclama, e sim quem assume a função por mérito. Não existe nenhum tipo de relacionamento de igual para a igual, se você reparar. Nem entre irmãos, entre cônjuges, nem entre colegas de mesma função. A hierarquia existe independente de notarmos ou não a sua existência.

E foi então que JOSHUA disse as palavras que me convenceram completamente de que ele era um líder natural:

- Scarlet, você nunca se perguntou por que tem tanta gente que sonha, sonha alto, e mesmo tendo todas as condições de realizar seu sonho, não o faz?

-Sim, Senhor. Isso é muito comum.

-Comum – ele repetiu – muito comum. Mas um sonho não se realiza nas mãos de pessoas comuns. Eu tenho meus defeitos, mas tem algo sobre mim que poucas pessoas sabem. Scarlet, eu sou constante o suficiente pra ter a estabilidade de não perverter os meus ideais. E eu sou um Dominador. O BDSM é a minha bandeira. Não aquilo que vemos por ai o tempo todo, mas o BDSM que é raro. Não falo de nada trivial. Falo de algo imenso, daquilo que mora nas fantasias mais utópicas dos que são conhecidos como grandes Sádicos, Dominadores, masoquistas... O meu sonho é grande. E eu não aceitaria nada além do melhor. Ocorre que, além disso, eu sei enxergar o potencial das pessoas. Sei achar entre muitos, a pessoa certa pra ocupar cada papel.

O telefone interrompeu a explanação. Mas ele não precisava dizer mais nada pra que eu o considerasse digno da liderança.

- Sim. Sim, Tony. Chegou? Já estamos indo.

JOSHUA tomou minha mão:

- Venha comigo.

Em um canto da sala, eu não tinha notado escondida atrás de um pequeno biombo, uma escada. Descemos por ela e JOSHUA abriu as grades que a separavam de um imenso corredor.

Fui transportada imediatamente para um cenário que apenas havia visto em filmes, até então. O corredor era largo e escuro. Cada passo ali ecoava, e eu sentia meu corpo quase dormente. Me dei conta de que ninguém sabia que eu estava ali e que eu estava completamente nas mãos daquele homem que eu nunca havia visto antes. Eu não sabia sequer o nome dele, e mesmo assim, eu caminhava por aquele estranho corredor que eu sabia, terminava no galpão no qual a esposa dele, angel, havia sido usada como um brinquedo, por ele mesmo, pelo Tony, e de certa forma, também por mim. Tive medo. Mas não atrasei o passo. Seguimos até o fim do corredor.

O galpão ficava inteiro abaixo do nível do solo. As paredes e o chão eram ásperos e escuros. A iluminação era toda artificial, de forma que, uma vez tendo entrado, era impossível diferenciar noite e dia.

- Bem-vinda à masmorra. – ele disse orgulhoso. – este é o hall principal. É aqui que a maior parte da diversão acontece.

Eu olhava a minha volta e sentia um arrepio percorrer meu corpo. Ao mesmo tempo, eu estava eufórica. Eu precisava andar por aquele local improvável livremente. Eu precisava correr e tocar cada objeto, entrar em cada sala, explorar o novo mundo que se abria diante de meus olhos. E JOSHUA percebeu essa necessidade em mim, e deu um sinal pra que eu o fizesse.

A Primeira coisa que toquei foi o X de madeira, pregado à parede do hall principal. Fechei os olhos. Aquilo parecia um sonho. Mexi nos vários modelos de chicotes, chibatas, relhos e palmatórias, pendurados à parede. Sentei-me nos bancos de alvenaria. Entrei e saí das pequenas celas, algumas das quais só me permitiam a entrada se eu raspasse os joelhos no chão. Explorei algumas das salas cujas portas largas davam para o hall principal. Nelas, eu via cavaletes e vários tipos de armações que eu nem sequer compreendia. Nas paredes, muitas vezes se encontravam ganchos e grilhões. Várias algemas, mordaças, clamps, esporas, vendas, coleiras e guias enfeitavam uma estante. Em outra, se achava todo tipo e tamanho de cordas. Outra ainda, expunha velas de vários formatos. Eu estava no local mais excitante em que já havia pisado, e totalmente imersa em uma deliciosa sensação de descoberta. JOSHUA sorria, absorvendo cada cena, cada expressão de surpresa e desejo que havia provocado em meu olhar.

- Aposto que já está se imaginando sentindo um chicote na pele... Ou então se imaginando com ele em suas mãos, acertando uma submissa, sem muita piedade...

Eu não acreditava no que tinha ouvido. Então ele também achava que eu era Switcher?

- Por que diz isso? O Senhor sabe que não sou Switcher. Sou sua. Sempre fui.

-Minha? Como assim, minha? Sei do teu respeito por mim; do teu reconhecimento. Mas você não é minha.

Toda a minha alegria deu lugar à decepção.

- Eu sou sua! Eu sou.

JOSHUA pareceu perder um pouco da sua tranquilidade habitual

- Eu não vejo nenhuma coleira com meu nome no teu pescoço. É um grande atrevimento você se dizer minha. Entre as minhas escravas nunca houve uma Switcher. É uma preferencia minha. Eu poderia até ser Dono de uma garota com tendências divididas se eu tivesse vontade. Mas até agora, nunca tive.

-Mas não é isso que eu sou. Eu quero servir. Te servir. Minha submissão é real. Tem sido real.

- Scarlet, pare de dizer isso. Você não me pertence. Não é exatamente isso que eu tenho em mente pra vc.

-Então me mude. Se acha mesmo que eu não sou submissa, o Senhor pode me mudar. Me ensina. Eu sou dedicada a ti. Eu tenho sido. Eu sou sua escrava. Eu posso ser melhor. Eu tenho te servido. E aqui dentro de mim, não importa o que o Senhor diga, eu sou sua.

Meu rosto estava molhado. Ele calmamente me abraçou e acariciou meus cabelos até que eu me acalmasse um pouco. E então ele disse sem que sua voz se alterasse em momento algum:

- Quem você pensa que é, criança linda, pra me dizer o que fazer?

Afastei-me dele. Eu não entendia aquela frieza. Eu estava perdida e confusa. Sempre havia sido uma pessoa orgulhosa. Mas meu orgulho e minha dignidade já estavam arranhados, e mesmo assim eu não me importava. Eu só conseguia sentir medo de que ele não me quisesse. Eu nunca havia sido recusada antes, por ninguém. Eu o odiei por isso, ao mesmo tempo em que o admirei ainda mais.

- Scarlet, ser minha não é fácil assim. Você subestima a importância de ter minha coleira em seu pescoço. Você fez muito pouco ainda. Digamos que eu esteja errado sobre você. Que você seja, de fato, uma submissa pura. Ainda assim, eu não colocaria meu nome em você, nem te teria como minha, antes de ter certeza de que você tem condições de me servir, nos meus moldes. Até onde você iria por mim?

- Eu faria qualquer coisa, Senhor. – limpei os olhos com um movimento brusco – qualquer coisa.

Ele riu. Depois pareceu pensativo por alguns momentos. Ouvimos passos ecoando por um outro corredor que também terminava no hall principal. A imagem de um homem alto e notavelmente magro surgiu, aos poucos, saindo das sombras. Tentei me recompor. Passei as mãos pelo rosto e pelo cabelo, rapidamente.
O homem vestia um terno branco, impecável. E se movia de uma forma que eu achei um tanto teatral. Permaneceu ali, com um sorriso estranho no rosto, por alguns segundos.

- Ventríloquo? Demorou pra descer... Como vai, meu caro?

- Bem... Muito bem. Um pouco cansado. Precisando dar uma relaxada por aqui.

Os dois se cumprimentaram com satisfação. Dava pra ver que tinham grande consideração um pelo outro. E então, o homem de terno claro olhou pra mim.

- Está é a bambina de quem falou, JOSH?

-Sim, é ela. Mas houve uma mudança de planos. E agora eu tenho uma proposta pra ti.

-Diga!

-A Scarlet aqui vai fazer qualquer coisa por mim. Será que você quer ficar com ela por uns tempos?

- Não é melhor você dá-la ao Tony? Você sabe que eu não gosto muito dessas custódias divididas...

- Não há nada dividido nesse caso, a não ser o tempo. Você tem total autonomia quanto a ela no tempo que ela ficar contigo. A peça é sua. Só me peço que me devolva quando eu quiser, e que me relate qualquer particularidade. E eu não devo clamá-la tão cedo.

Eu estava absolutamente ultrajada, dividida entre a palavra que tinha dado, de que faria de fato qualquer coisa por ele, e o meu amor próprio. Ventríloquo caminhou a minha volta, lentamente.

- Neste caso... Eu aceito a garota. E o agradeço. Mas você sabe que eu não gosto que me imponham limites. A usarei como eu desejar.

- Justo – disse JOSHUA. – E perfeitamente claro.

JOSHUA fez sinal para que eu me ajoelhasse. Eu o obedeci, furiosa.

Ele então disse que a qualquer momento eu poderia simplesmente ir embora. Que tudo só faria sentido enquanto eu realmente quisesse estar ali. Que o BDSM só existe enquanto há consensualidade. Também me foi explicado que a moral sadomasoquista é diferente. Que o que muita gente considera absurdo ou vulgar, no meio pode ser considerado belo. Os valores são outros. E o que mais importava, e era esperado de mim, era somente a minha entrega.

- Scarlet, te apresento o teu Dono, Ventríloquo. Você deve se referir a ele como Senhor Ventríloquo. Faça tudo que ele mandar por mim, certo? E tire essas faíscas dos olhos. Não me agrada nada feito de má vontade.

Eu engoli minha raiva. E baixei o olhar.

-Sim, Dono. – respondi, não conseguindo resistir a fazer esta pequena provocação.

No mesmo instante, recebi o primeiro tapa no rosto que levei na vida. Meus braços chegaram a tocar o chão com meu movimento. E o autor do tapa, não era o JOSHUA.

- Scarlet... Scarlet... Você não ouviu o que o JOSHUA falou? Você é minha agora. E a sua primeira regra é: Se chamar outro homem de Dono, o seu rosto vai arder.

Era muita informação pra mim... Aquele lugar, os Sete, a delicia de me ver em uma masmorra, a rejeição do JOSHUA e agora, o controle de outro homem sobre mim. Eu não conseguia mais pensar claramente. Minhas emoções se misturavam. Ventríloquo riu da minha confusão.

JOSHUA e o meu estranho Dono conversaram por algum tempo. Após isso, JOSHUA se despediu dele, e seguiu pelo seu corredor, deixando-nos a sós, na masmorra. E ela, agora, não me parecia mais tão fascinante. Era apenas um galpão tão frio e assustador quanto o homem de terno branco que tirava meu vestido.

- Vamos ver agora se essa bambina foi um bom presente.

Senti suas mãos frias percorrerem o meu corpo. Ele apertou meus mamilos com tanta força que eu gritei de dor. Ele olhava nos meus olhos e sorria, com prazer. E apertava mais. Foi meu primeiro contato direto com o olhar de prazer de um verdadeiro Sádico.

Fui então puxada por ele e debruçada em um dos bancos de alvenaria. Ouvi o barulho do zíper de sua calça se abrindo. E senti seu membro encostado em mim. Eu chorava muito e ele perguntou:

- Quer ir embora?

-Não – respondi- Não, Senhor.

- Tem certeza? Se você ficar eu vou por isso tudo em você. E eu não gosto de nada convencional. Não vou fazer nada que não te faça sentir dor e gritar pra mim... É melhor você desistir...

- Não. Não vou desistir- eu disse, já soluçando.

- Ótimo. Então engole esse choro.

Eu tentei me controlar. Respirei fundo e me acalmei um pouco.

Mas então ele me penetrou por tras com violência, se forçando dentro de mim. Meu corpo resistia aumentando ainda mais a dor. Ele se impunha, aproveitando cada atrito, cada resistência a favor de seu prazer Sádico, até estar inteiro em mim. Eu voltei a chorar compulsivamente enquanto ele se movia cada vez mais rápido. Fechei os olhos. Eu achei que fosse acabar logo... Mas aquilo parecia não ter mais fim. Ele parava, falava comigo coisas que eu já nem entendia mais. Depois voltava a me torturar com mais força e mais vigor ainda, entrando e saindo do meu corpo exausto. Virei o rosto. Notei acima do X de madeira os dizeres: “MEA CULPA. MEA MAXIMA CULPA”. Fixei ali o meu olhar. Deixei que o Ventríloquo fizesse uso de meu corpo. Mas decidi que minha mente não estaria ali. Me concentrei em mim. No meu novo papel. E apesar da dor e da humilhação real que eu sentia, tinha uma parte estranha minha que se orgulhava de estar, apesar de tudo, ali.

(continua...)

5 comentários:

([{mila}])MAGNO disse...

atenta aqui para a continução
Bem gostos esse conto menina


beijos

tavi de ÁSGARÐ disse...

Fico muito contente de você estar acompanhando, mila.
Espero que goste da direção que o conto vai tomar.
Beijos com carinho

([{mila}])MAGNO disse...

tavi sempre te disse que gosto do jeito peculiar que escreve, embora muitas vezes eu nao comente e saia de fininho, é sempre uma alegria vir ate e logico que estou aqui esperando o resto do conto

beijos amada

_lua_ disse...

Saudades daqui menina tavi.
Obrigado por nos brindar com suas palavras e seus textos que Tanto Adoro.
Mesmo ausente, estou sempre acompanhando as pouquissimas pessoas que me encantam de alguma forma, e vc estás certamente entre elas.
Ansiosa pela continuação dos posts.

Te deixo meu carinho e um beijo mais que especial.
=)

Te admiro e te gosto muito.

tavi de ÁSGARÐ disse...

lua bonita.. lua linda...
tava com saudades de vc me alegrando o dia!
Beijos mil... sua falta é sentida

tavi